Iniciativas para Fortalecer o Audiovisual Brasileiro
O Ministério da Cultura (MinC) destacou sua participação na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes ao lançar o inédito Panorama do Ecossistema Audiovisual – Arranjos Regionais 2025, juntamente com o curso intitulado Audiovisual no Brasil: Governança e Ecossistema. Essas ações foram anunciadas pela Secretaria do Audiovisual durante o terceiro dia da mostra, que ocorreu no último domingo, dia 25, e foram parte da programação do 4º Fórum de Tiradentes.
Essas iniciativas têm como objetivo fortalecer as políticas públicas relacionadas ao setor audiovisual, ampliando a coleta de dados e investindo em formação específica na área. O debate sobre Políticas Públicas de Fomento Audiovisual, realizado pela manhã, trouxe à tona a interligação entre diferentes ações governamentais, como o Programa Nacional Aldir Blanc (PNAB), os Arranjos Regionais e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
Articulação e Recursos para o Setor
A diretora de Formação e Inovação Audiovisual da Secretaria do Audiovisual, Milena Evangelista, compartilhou detalhes sobre a elaboração dos Arranjos Regionais, que foram construídos a partir de um diálogo constante com gestores culturais e discussões realizadas no próprio Fórum de Tiradentes. O investimento total para o fortalecimento do setor soma aproximadamente R$ 542 milhões do Governo Federal, com uma contrapartida de cerca de R$ 120 milhões proveniente de estados e municípios. Esse modelo de cofinanciamento visa ampliar o alcance das políticas e reforçar o audiovisual em todas as regiões do Brasil.
No evento, também foi apresentado o estudo Panorama do Ecossistema Audiovisual – Arranjos Regionais 2025, que oferece uma visão abrangente sobre o setor, trazendo dados territoriais e informações inéditas. “Lançar o Panorama aqui é fundamental, pois a Mostra defende a soberania imaginativa e o direito de nos representarmos. Os Arranjos têm a meta de descentralizar o financiamento e a formação, estimulando narrativas que consolidem uma cinematografia plural,” afirmou Evangelista.
Cultura como Força Coletiva
O debate contou com a presença de Maria Marighella, presidenta da Fundação Nacional das Artes (Funarte), que ressaltou a cultura como uma força coletiva essencial, enfatizando a importância da proteção e promoção da arte. Ela destacou o papel vital das políticas públicas na formação de comunidades. “A cultura brasileira projeta nossa identidade. Por meio do audiovisual e do cinema, podemos transformar essa diversidade em práticas que promovem vizinhança e laços afetivos,” declarou Marighella.
A secretária de Cultura de Belo Horizonte, Eliane Parreiras, enfatizou a relevância da descentralização das políticas culturais e a gestão compartilhada entre União, estados e municípios, considerando esse um momento estratégico para o audiovisual nacional. Roberta Martins, secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, também falou sobre a integração entre os entes federativos e a valorização dos sujeitos históricos. “A SAV estrutura os Arranjos Regionais como uma política federativa, alinhando-se à Lei Nacional do Sistema de Cultura,” explicou Martins.
Formação e Cinema na Educação
No período da tarde, o MinC participou do painel Convergências entre Cinema e Formação, que focou no diálogo entre cinema, educação e formação de públicos. Nesse contexto, o curso Audiovisual no Brasil: Governança e Ecossistema, desenvolvido em parceria com a Escola Fundação Itaú, foi lançado por Milena Evangelista e Ana Paula Sylvestre, coordenadora de Formação da Secretaria do Audiovisual.
O curso, que é gratuito e aberto ao público, visa atender uma demanda histórica expressa pelos gestores culturais e participantes dos Arranjos Regionais. Com uma carga horária de quatro horas, dividida em dois módulos, a formação oferece uma visão panorâmica das políticas públicas e do setor audiovisual brasileiro. Ana Paula destacou a importância de embasar as ações da SAV em dados e diagnósticos. “A criação deste curso reforça a necessidade de fortalecer a estrutura de formação, garantindo que as políticas públicas sejam fundamentadas em uma base formativa sólida,” declarou a coordenadora.
A Importância do Acesso e da Exibição
Durante o painel, Issac Pipano, da Universidade Federal Fluminense, sublinhou a relevância de dados e da acessibilidade às obras audiovisuais. Cintia Langie, da Universidade Federal de Pelotas, abordou a ampliação dos circuitos de exibição, enquanto Clarissa Alvarenga, da Universidade Federal de Minas Gerais, destacou o papel do cinema na educação básica. Edileuza Penha, do Instituto Federal de Brasília, enfatizou o cinema como uma ferramenta essencial para a formação nas escolas. A mediação ficou a cargo de Adriana Fresquet, integrante do GT Formação, e Renan Jordan, da Escola Fundação Itaú Cultural, celebrou a parceria e o lançamento do curso.

