Explosões Suspeitas e Danos à Comunidade
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) deu início a um procedimento administrativo para apurar possíveis danos ambientais e urbanísticos relacionados ao Loteamento Alto do Mandacaru, localizado em Caruaru, no Agreste do estado. A decisão foi tomada após diversas denúncias que indicam explosões de rochas com intensidade excessiva, além de casos de desmatamento e danos a imóveis na vizinhança.
Moradores da área em questão relataram a ocorrência de rachaduras em suas residências, acompanhadas de incômodos gerados pelo barulho das explosões. Além disso, os relatos incluem preocupações quanto a possíveis danos ao meio ambiente da região. A investigação do MPPE visa também monitorar a regularização do loteamento, bem como a adequação da infraestrutura básica que deveria estar em funcionamento no local.
Acompanhamento da Regularização do Loteamento
Conforme informações fornecidas pela Autarquia de Urbanização e Meio Ambiente de Caruaru (URB/Caruaru), a empresa encarregada do empreendimento pediu alterações no projeto original, as quais ainda não foram aprovadas. O órgão destacou que não possui autorização específica para a detonação de rochas na área, o que agrava ainda mais a situação.
Em face das irregularidades apontadas, o MPPE busca esclarecer se as atividades de construção seguem as normas urbanísticas e ambientais, além de investigar se existem riscos à população local. Para isso, um prazo de 20 dias úteis foi estabelecido para que a URB/Caruaru realize uma vistoria no local e apresente um relatório técnico atualizado sobre as condições das obras.
Fiscalização da Infraestrutura Necessária
A investigação também abarca a fiscalização da implantação da infraestrutura do loteamento, que inclui aspectos essenciais como pavimentação, abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem pluvial, fornecimento de energia elétrica e iluminação pública. A empresa responsável pelo projeto foi notificada para apresentar um cronograma detalhado das obras que está realizando, esclarecer a falta de autorização para as detonações e informar sobre o status dos projetos que ainda estão pendentes junto à Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e à Neoenergia.
Na portaria do MPPE, foi enfatizado que o acompanhamento do caso se dá com o intuito de garantir o ordenamento urbano, a qualidade de vida dos cidadãos e a prevenção de possíveis desastres ambientais futuros. O objetivo é garantir a regularização do loteamento e assegurar o direito dos proprietários à titulação de seus imóveis. Além disso, o MPPE não hesitará em adotar medidas judiciais ou extrajudiciais, caso irregularidades sejam confirmadas.
Envolvimento da Promotoria de Justiça
Este procedimento foi instaurado pela 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Caruaru, que atua nas esferas de meio ambiente, habitação e urbanismo. O MPPE busca responder às preocupações da comunidade e manter a transparência nas ações que envolvem a urbanização da área.

