Jomard Muniz de Britto e Sua Influência no Tropicalismo
Jomard Muniz de Britto, cineasta e escritor reconhecido como um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco, faleceu na madrugada desta segunda-feira, 12, aos 89 anos. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular no Recife, enfrentando uma grave infecção respiratória nos pulmões.
A trajetória de Jomard foi marcada pela inquietude e pela vontade constante de romper com padrões estabelecidos. A Fundarpe destacou que ele construiu uma obra pautada pela experimentação, liberdade criativa e questionamento das convenções artísticas. Em 2025, cinco de seus filmes em Super-8, digitalizados e restaurados, foram exibidos no Cinema São Luiz durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife, reafirmando sua importância para a cena cultural local.
Contribuições e Carreira Multifacetada
Nascido em Pernambuco, Jomard teve papel fundamental na renovação cultural brasileira a partir da segunda metade dos anos 1960. Foi um dos autores do Manifesto Tropicalista de 1968, que ajudou a difundir o movimento em Pernambuco, e se solidificou como uma referência da produção audiovisual experimental no estado.
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Durante as décadas de 1970 e 1980, integrou a Geração Super-8, que explorou o formato de película de 8 milímetros, impulsionando o cinema independente no Brasil. Entre seus trabalhos mais emblemáticos estão O Palhaço Degolado e Inventário de um Feudalismo Cultural, filmes que desafiaram as referências tradicionais da cultura regional e as convenções estéticas vigentes.
Ao longo de sua carreira, Jomard publicou mais de dez livros, escreveu peças teatrais e realizou mais de 30 filmes e vídeos, transitando por diversas linguagens artísticas e sempre disposto a confrontar os padrões culturais estabelecidos.
Resistência e Ensino Durante o Regime Militar
Além da produção artística, Britto atuou como professor nas universidades federais de Pernambuco (UFPE) e da Paraíba (UFPB). Durante a repressão da ditadura militar, foi afastado dos cargos em meio à censura do regime, mas continuou atuante na defesa das liberdades.
Em 1985, assumiu a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Recife após uma eleição direta realizada entre representantes da cena cultural da cidade. Sua passagem por esse cargo reforçou seu compromisso com a liberdade de expressão e a valorização da produção artística local.
O velório e o sepultamento de Jomard Muniz de Britto estão previstos para esta segunda-feira, 12, na capela do Cemitério de Santo Amaro, no Recife. Secretarias e fundações de cultura destacaram sua contribuição para os caminhos culturais e contraculturais de Pernambuco, ressaltando seu legado na defesa das liberdades individuais e coletivas.

