Transformação no Ensino Superior
O novo marco regulatório do ensino a distância (EaD) no Brasil trouxe mudanças significativas, com a imposição de regras mais rigorosas para as instituições de ensino superior e a proibição de alguns cursos no formato 100% on-line. Para Paula Harraca, CEO da Ânima Educação—um dos maiores ecossistemas educacionais do país, que engloba marcas renomadas como Anhembi Morumbi e Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação (IBMR)—as novas diretrizes têm se mostrado vantajosas tanto para as instituições quanto para a qualidade do ensino.
Natural de Rosário, Argentina, a mesma cidade que viu nascer o ícone do futebol Lionel Messi, Paula possui uma trajetória marcada por sua atuação como ex-goleira da seleção argentina de hóquei sobre a grama, conhecida como “As Leoas”. Com mais de 20 anos de experiência na área de administração, Paula decidiu direcionar sua carreira para o setor educacional, influenciada pelo legado de sua mãe, professora. Ela ressalta que as inovações tecnológicas mudaram a dinâmica do ensino, fazendo com que o professor perdesse a exclusividade no acesso ao conhecimento e à autoridade na sala de aula.
O impacto das novas regras no ensino a distância
A ascensão da educação a distância no Brasil tem sido notável, especialmente considerando que hoje cerca de 10 milhões de alunos do ensino superior estão matriculados nesse formato. Apesar de ser um crescimento expressivo em termos de quantidade, a qualidade da experiência educacional ainda é um ponto de debate. Com a implementação do novo marco regulatório, a Ânima se beneficia, pois sempre defendeu que a educação a distância não é apenas sobre aulas online, mas sobre uma experiência de aprendizado enriquecida pela interação humana e pela tecnologia.
A instituição, que adquiriu a Laureate em 2020 por mais de R$ 4 bilhões, ampliou sua oferta de cursos EaD, mas sempre mantendo um foco no ensino presencial e híbrido. A CEO aponta que a proibição de cursos como Medicina e Engenharia na modalidade 100% on-line não teve um grande impacto, uma vez que a Ânima já havia adotado uma abordagem de ensino que prioriza experiências práticas, especialmente nas áreas da saúde.
Equilíbrio entre democratização e qualidade no ensino
Embora o ensino a distância tenha o potencial de democratizar o acesso ao ensino superior, uma preocupação constante é como garantir a qualidade do aprendizado. Paula enfatiza que é possível criar uma experiência de aprendizado digital que possibilite acesso a mais estudantes, principalmente em áreas como gestão, tecnologia e negócios. A Ânima está investindo no crescimento de uma oferta semipresencial ou híbrida, sempre buscando parcerias locais para fortalecer suas operações.
Atualmente, a Ânima opera com 25 marcas educacionais, abrangendo desde a educação executiva até áreas especializadas, como a medicina e gastronomia. Com mais de 80 campi espalhados pelo Brasil e uma rede de mais de 400 parceiros, a instituição está bem posicionada para enfrentar os desafios do setor.
Resultados e futuro da Ânima Educação
Assumindo o cargo de CEO em julho de 2024, Paula compartilha que 2025 foi um ano marcante para a Ânima, com um lucro líquido de R$ 123,8 milhões, o que representa um aumento de 45,3% em relação ao ano anterior. A receita totalizou mais de R$ 4 bilhões, um recorde para a instituição. O crescimento no número de novos alunos foi de 7%, enquanto o tíquete médio aumentou 5,4%.
A integração da Laureate, segundo Paula, foi bem-sucedida e seus efeitos são visíveis. A Ânima manteve o nome das instituições adquiridas, permitindo que os alunos escolham estudar nas líderes de suas respectivas regiões. Esse modelo, aliado a uma gestão estratégica, vem gerando resultados positivos.
Preparando professores para novos desafios
Com a chegada de novas tecnologias, o papel do professor também evoluiu. Paula destaca que, embora os educadores tenham perdido parte do monopólio sobre o conhecimento, eles continuam sendo essenciais no processo de aprendizagem. Para auxiliar nesse novo cenário, a Ânima desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial chamada Iara, que atua como um copiloto para os professores, permitindo uma análise detalhada do desempenho dos alunos e personalizando a experiência educacional.
Essa inovação ajuda os docentes a adaptarem suas propostas pedagógicas, transformando-os em mentores que orientam os estudantes em suas trajetórias acadêmicas.
Desafios e perspectivas no cenário educacional
A evasão escolar ainda representa um desafio, embora tenha diminuído no formato digital. A Ânima está concentrada em estratégias para integrar alunos veteranos aos novos, promovendo um ambiente de apoio e colaboração. Paula acredita que o contexto atual, com a inflação e as altas taxas de juros, exige um cuidado especial com a relação financeira dos alunos e a percepção de valor que a educação pode proporcionar. Cada ponto percentual da Selic, por exemplo, representa um impacto significativo nas finanças da Ânima, o que torna essencial a gestão eficiente dos recursos.
À medida que o setor educacional brasileiro continua a se desenvolver, Paula Harraca vê oportunidades de crescimento e consolidação, mas ressalta a importância de uma gestão sólida e de uma equipe bem preparada para enfrentar os desafios do futuro. A Ânima está atenta às demandas do mercado e busca constantemente inovação, focando na excelência educacional.

