Reunião da OEA Sobre a Venezuela
Nesta terça-feira, dia 6, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reúne em uma sessão extraordinária para discutir a situação atual na Venezuela. O encontro está programado para começar ao meio-dia, no horário de Brasília, e ocorrerá na sede da OEA, localizada em Washington, nos Estados Unidos.
A reunião surge poucos dias após uma operação militar realizada pelos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro. Este evento recente evidenciou as divisões existentes entre os países da região, levando a uma crescente tensão diplomática.
Assim como na reunião do Conselho de Segurança da ONU, que aconteceu na segunda-feira (5), os diplomatas esperam que o debate na OEA também não chegue a um consenso. A OEA, que foi estabelecida em 1948 e atualmente conta com 35 Estados independentes das Américas, serve como o principal fórum político e jurídico da região, além de abrigar 70 observadores permanentes e a União Europeia.
A organização possui como uma de suas principais missões a promoção da paz, justiça e defesa da soberania de seus países membros. Antecipando-se ao encontro, o governo brasileiro já sinalizou que irá se manifestar contrariamente aos ataques dos EUA e ao uso da força em território venezuelano. O Brasil será representado pelo embaixador Benoni Belli, e a expectativa é que seu discurso reflita as posições do presidente Lula, já expressas em discursos na ONU.
O embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, comentou sobre a crise ao afirmar que “não podemos aceitar que os fins justifiquem os meios”, apontando para o risco de que nações mais poderosas possam estabelecer unilateralmente o que é considerado justo na região. Essa postura reforça a necessidade de um debate cauteloso e respeitoso entre os membros da OEA.
Em suas redes sociais, Lula manifestou que os bombardeios e a prisão de Maduro representam uma “linha inaceitável”, criando um “precedente perigoso” para a comunidade internacional. Integrantes do Itamaraty consideram o atual cenário na Venezuela como um campo inexplorado, o que demanda uma abordagem prudente nas negociações diplomáticas.
No último fim de semana, Albert Ramchand Ramdin, secretário-geral da OEA, afirmou que está monitorando de perto a rápida evolução da situação na Venezuela e que a OEA está disposta a apoiar esforços que busquem uma solução pacífica, democrática e sustentável em prol do povo venezuelano. Ele enfatizou que todos os envolvidos devem respeitar integralmente o direito internacional e o marco jurídico interamericano, garantindo a proteção da vida civil e das infraestruturas vitais.
Os diplomatas em Brasília trabalham com a expectativa de que não haja a adoção de nenhum documento conclusivo ao final da sessão de hoje. Na visão do governo brasileiro, mudanças nas posições dos membros da OEA somente ocorrerão caso surjam novas informações sobre a situação no país vizinho, a Venezuela.

