A Operação Firmeza Absoluta
A recente ação militar dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro, conhecida como “Operação Firmeza Absoluta”, foi vista por analistas como um ponto de inflexão na política externa americana. Essa operação, que resultou na morte de pelo menos 40 pessoas, foi descrita como um acontecimento que indica uma erosão significativa do multilateralismo, uma característica que se consolidou após a Segunda Guerra Mundial. Fontes internas mencionadas pelo New York Times revelaram que um informante da CIA dentro do governo venezuelano teve um papel crucial na localização de Maduro, que foi capturado antes de conseguir escapar.
Durante uma coletiva de imprensa em sua residência na Flórida, o presidente Donald Trump fez declarações audaciosas sobre o controle futuro dos Estados Unidos sobre a Venezuela. Ele garantiu que a exploração das vastas reservas de petróleo do país ajudaria a financiar a reconstrução de sua infraestrutura. ‘Nós basicamente lideraremos esse país até que uma transição segura e adequada ocorra’, afirmou Trump, ressaltando que a operação não resultou em baixas para os americanos, um fator que ele considerou positivo.
Condições Controversas e O Futuro da Venezuela
No entanto, a situação na Venezuela permanece incerta. Trump afirmou que María Corina Machado, conhecida figura da oposição e prêmio Nobel da Paz, não possui o apoio necessário dentro do país. Ele se disse em negociações com a atual vice-presidente, Delcy Rodríguez, embora Machado tenha rapidamente denunciado a ação dos EUA como uma “invasão sob falsos pretextos”. ‘Apenas um presidente existe neste país, e seu nome é Nicolás Maduro Moros’, defendeu.
Enquanto isso, o clima de apreensão permeia as ruas de Caracas, onde muitos cidadãos enfrentam um futuro incerto. Contrapõe-se a isso uma celebração por parte de venezuelanos no exterior, que comemoraram a captura de Maduro. A ministra das Relações Exteriores em exercício do Brasil, Maria Laura da Rocha, destacou que Brasília reconhece Rodríguez como a presidente interina da Venezuela e que qualquer diálogo com os EUA ocorrerá durante uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, convocada pela Colômbia.
Reações Internacionais e a Resposta Brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua indignação ao dizer que os ataques em solo venezuelano e a captura de Maduro ultrapassam limites aceitáveis. Ele argumentou que a ação dos EUA evoca os piores momentos de intervenções externas na América Latina e defendeu a necessidade de diálogo e cooperação, uma posição compartilhada por outros países da região, como México, Colômbia, Chile e Uruguai. Vale lembrar que a última invasão americana na América Latina ocorreu em 1989, quando o governo de George H.W. Bush depôs o ditador panamenho Manuel Noriega.
Divisões e Controvérsias sobre Legitimação
Enquanto alguns países da região, como Argentina, Paraguai e Equador, celebram a queda de Maduro, potências como China e Rússia se posicionaram contra a sua captura. A União Europeia, enquanto lida com a questão da invasão da Ucrânia e sua dependência militar dos EUA, adotou uma postura cautelosa, enfatizando que qualquer solução deve respeitar a lei internacional e a Carta das Nações Unidas.
O líder espanhol, Pedro Sánchez, foi uma das exceções, equiparando a intervenção americana à ilegitimidade do governo Maduro. Ressalta-se que a legalidade da operação militar gerou controvérsias tanto nos Estados Unidos quanto no cenário internacional. O governo Trump argumenta que não era necessária a aprovação do Congresso para a ação, uma perspectiva contestada pela oposição, que ameaça levar a questão à Suprema Corte.
Consequências e Futuros Rumos
O ataque foi justificado pelo governo americano como uma resposta a uma suposta ligação do governo Maduro com o tráfico de drogas, uma alegação que busca legitimar a operação militar. Essa narrativa foi fundamental para convencer Trump a aprovar a operação, a maior intervenção militar americana na região em mais de cem anos. A Casa Branca também procura desviar a atenção de questões internas, como a crescente desaprovação popular e as investigações sobre possíveis atos inconstitucionais do presidente.
Analistas sugerem que Cuba, Colômbia e México podem ser os próximos alvos de ações americanas, à medida que Trump busca consolidar sua mensagem de segurança nacional e se distanciar do legado de sua retirada do Afeganistão, uma questão que ainda pesa na opinião pública americana. Com a captura de Maduro, Trump apresentou uma imagem de força militar, contrastando com suas dificuldades internas e a iminência de eleições que podem mudar o cenário político do país.

