Nova fase da Operação Unha e Carne mobiliza a Polícia Federal no Rio de Janeiro
A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (2) uma nova etapa da Operação Unha e Carne, que resultou na prisão do pastor Márcio Poncio, conhecido como “pastor do cigarro”, e em ações contra outras figuras de destaque no cenário político e do crime organizado no Rio de Janeiro. Entre os alvos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho, e Marco Antônio Cabral, advogado e filho do ex-governador Sérgio Cabral.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes em contratos públicos, contravenção e possíveis conexões entre agentes públicos e organizações criminosas instaladas no estado. O desdobramento da operação reforça o enfrentamento à corrupção e ao crime organizado em um dos principais polos políticos do país.
Perfil dos investigados e implicações institucionais
Márcio Poncio, com 52 anos, é líder da Igreja da Nuvem, empresário no setor do tabaco e figura pública conhecida nas redes sociais. Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleito. As investigações indicam que Poncio pode estar envolvido em lavagem de dinheiro e conexões com a chamada “Máfia do Cigarro”, supostamente liderada por Adilsinho.
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Fonte: reportersorocaba.com.br
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Fonte: agazetadorio.com.br
Rodrigo Bacellar, advogado tributarista e ex-presidente da Alerj, tem sua carreira política marcada por protagonismo em processos institucionais, como o impeachment do ex-governador Wilson Witzel. Ele foi preso anteriormente em 2025 por suspeita de obstrução de justiça e vazamento de informações sigilosas relacionadas a operações contra o Comando Vermelho. Recentemente, foi novamente detido após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. A defesa considera a prisão “indevida e desnecessária”. Bacellar é investigado por suposto envolvimento em uma rede que protege e vaza informações sigilosas das operações policiais.
Adilsinho, identificado como Adilson Oliveira Coutinho Filho, é apontado como uma liderança do jogo do bicho e descrito pela polícia como “o mais sanguinário dos capos”. Ele é investigado por homicídios, contravenção e controle da fabricação e distribuição de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com ramificações para outros estados. Adilsinho também teria influência em disputas por pontos de jogo do bicho e em escolas de samba. Foi preso em fevereiro, durante uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Cabo Frio.
Marco Antônio Cabral, advogado e ex-deputado federal, é filho do ex-governador Sérgio Cabral. Ele já esteve à frente da Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude no governo Luiz Fernando Pezão. Contra Marco Antônio, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, mas não há pedido de prisão. Sua defesa afirmou que ele negou categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de valores ilícitos, reforçando seu compromisso com as instituições e a disposição para colaborar com as investigações.
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Fonte: soudebh.com.br
Próximos desdobramentos e impacto político
Essa nova fase da Operação Unha e Carne evidencia o esforço das autoridades em desarticular esquemas que envolvem tanto figuras políticas quanto criminosas no Rio de Janeiro. O impacto administrativo se reflete na necessidade de maior controle sobre contratos públicos e no fortalecimento do combate à lavagem de dinheiro e contravenção. A operação também pode influenciar a dinâmica política estadual, especialmente diante da proximidade das eleições e do cenário de disputas internas em partidos e grupos políticos.
Os próximos passos envolvem a continuidade das investigações e o monitoramento das ações judiciais relacionadas aos presos e investigados, além da análise das consequências para os órgãos públicos afetados. A transferência de Rodrigo Bacellar para presídio federal está prevista, e as autoridades seguem atuando para esclarecer os fatos e garantir a responsabilização dos envolvidos.

