Investigação Revela Abusos e Negligência em Caso Trágico de Violência Familiar
A Polícia Civil de Pernambuco prendeu um homem de 36 anos sob a acusação de assassinar seu enteado, uma criança de apenas quatro anos com síndrome de Down, em Caruaru, no Agreste do estado. A detenção ocorreu na quinta-feira, dia 8, e foi oficialmente confirmada nesta sexta-feira, dia 9, após a finalização das primeiras etapas da investigação sobre o caso.
O trágico incidente aconteceu no dia 29 de novembro de 2025. Na ocasião, o menino foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santa Rosa por sua mãe e o padrasto. Quando chegaram, os responsáveis informaram aos profissionais de saúde que a criança teria caído da cama durante a madrugada, uma versão que logo foi questionada.
Durante o atendimento, a equipe médica notou sinais que não condiziam com a explicação dada pela mãe e pelo padrasto. Exames minuciosos revelaram múltiplas lesões no corpo e na cabeça da criança, além de indícios de violência sexual. Infelizmente, o menino já chegou à unidade sem vida.
Em entrevista concedida à TV Asa Branca, o delegado Francisco Souto Maior relatou que a mãe tentou defender a versão do acidente, mesmo após os indícios de que algo estava errado. “Ela reafirmou que se tratava de uma queda de berço. No entanto, as equipes médicas realizaram um exame detalhado, corroborando que a criança já se encontrava morta. Os laudos indicaram múltiplas lesões cranianas e hematomas no corpo, além de lacerações nos órgãos genitais”, explicou o delegado, ressaltando a importância do trabalho da equipe médica.
Após a comunicação da UPA, a Polícia Civil deu início às investigações. De acordo com o delegado Eric Costa, que lidera a 20ª Delegacia de Homicídios de Caruaru, os laudos periciais confirmaram que a causa da morte foi um traumatismo craniano resultante de agressões. “Além disso, os laudos comprovaram que a criança vinha sendo vítima de abusos sexuais”, informou a corporação em nota oficial.
Durante as investigações, um relatório do Conselho Tutelar indicou que outras oito crianças que residiam na mesma casa relataram episódios de violência física e abuso sexual atribuídos ao padrasto. O documento também revelou condições alarmantes de vulnerabilidade, como a ausência de alimentação adequada, higiene precária e falta de acesso regular à educação.
“Felizmente, essas crianças agora estão sob a responsabilidade do Conselho Tutelar, em um abrigo seguro”, destacou o delegado Francisco Souto Maior, aliviado com a proteção das crianças.
O suspeito foi preso por meio de um mandado expedido pela Vara do Tribunal do Júri de Caruaru e, após audiência de custódia, teve sua prisão preventiva decretada. A Polícia Civil informou que o homem permanece à disposição da Justiça, embora o local onde ele está detido não tenha sido divulgado.

