O Início de uma Rivalidade Histórica
Considerado o terceiro clássico mais antigo do Brasil, atrás apenas de Fluminense x Botafogo e Grêmio x Internacional, o confronto entre Náutico e Sport marca, neste domingo, mais um capítulo de uma rivalidade que já dura 117 anos. Essa história começou em um desafio lançado pelos alvirrubros aos rubro-negros, que se tornaria um marco no futebol pernambucano.
Embora o Náutico tenha sido fundado em 1901, quatro anos antes do Sport, o clube alvirrubro estava inicialmente focado no remo e só começou a se aventurar no futebol em 1909. Em contrapartida, o Sport era adepto do futebol desde sua fundação e já contava com uma trajetória mais consolidada, tendo disputado 10 partidas naquele período, com quatro vitórias, três empates e três derrotas. Assim, os alvirrubros decidiram desafiar uma equipe mais experiente, buscando um confronto que marcasse sua estreia oficial no futebol, um pedido aceito pelo Sport, que era amplamente considerado favorito para o duelo.
Na véspera do jogo, o extinto Jornal Pequeno destacou que “o capitão Hermann Ledebour, instrutor do Náutico, trabalhava arduamente para que sua equipe saísse vitoriosa, embora o feito fosse considerado bastante difícil.” Esse desafio logo despertou a atenção do público e foi visto como um momento crucial para a popularização do futebol no Recife, que estava ainda engatinhando no esporte. “É a primeira vez que, sob as respectivas bandeiras dos dois importantes clubes atléticos, se efetuará aqui um match de football, e, por conseguinte, é fácil avaliar o grande interesse que o mesmo despertou em nosso meio esportivo”, anunciou o Jornal Pequeno.
O Primeiro Confronto: Expectativa e Surpresas
No dia 25 de julho de 1909, às 16h15, conforme registrado pelo Diario de Pernambuco, Náutico e Sport se encontraram pela primeira vez no antigo campo do British Club, atualmente onde se localiza o Museu do Estado, na Avenida Rui Barbosa, em Recife. O Náutico entrou em campo com camisas e calções brancos, enquanto o Sport vestia suas tradicionais listras vermelhas e pretas, acompanhadas de calções brancos.
Desde cedo, a expectativa era alta. Os bondes de Fernandes Vieira estavam com lotação completa, e trens da linha principal chegavam repletos à estação da Torre, evidenciando a importância do confronto na cidade. E, para a surpresa de muitos, a partida terminou com uma vitória impressionante do Náutico, que venceu por 3 a 1, abrindo uma vantagem de 3 a 0 antes do Sport descontar. Os gols alvirrubros foram marcados pelos atacantes Maunsell (2) e Thomas, enquanto C. Chalmers fez o gol de honra para o Sport. Ambos os times eram compostos por jogadores ingleses e brasileiros, refletindo a influência britânica no início do futebol no Brasil.
O Diario de Pernambuco, em sua cobertura, parabenizou o Náutico pela vitória e destacou a importância do feito, mencionando a necessidade de o clube “obter nos esportes terrestres o mesmo destaque que possui nas lutas marítimas”. Entre os espectadores, estava Guilherme de Aquino, fundador do Sport, que, apesar da derrota de sua equipe, deveria estar satisfeito com o resultado, que já mostrava o fruto do seu trabalho na introdução do futebol no estado e o sucesso das festividades esportivas, como a que ocorria naquele evento histórico.
Retrospectiva do Clássico
Desde aquele primeiro encontro, Sport e Náutico se enfrentaram em 569 partidas, com um histórico que inclui 218 vitórias para o Sport, 186 para o Náutico e 164 empates. Além disso, houve um jogo com placar desconhecido, que aconteceu em 29/03/1931, durante o Torneio Abrigo Terezinha de Jesus. Essa rivalidade, que começou com um simples desafio, se transformou em um dos maiores clássicos do Brasil, solidificando ainda mais o amor e a paixão pelo futebol em Pernambuco.

