Início do Terceiro Ciclo de Formação dos Agentes Territoriais
No dia 22 de fevereiro, o Ministério da Cultura (MinC) deu início ao terceiro ciclo de formação dos Agentes Territoriais de Cultura. O evento, que ocorreu de forma virtual, foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do MinC e marcou o começo de uma nova fase do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC). Nesta etapa, os agentes terão a missão de aplicar a cartografia social diretamente em suas comunidades, um método que visa mapear e valorizar as vivências, culturas e histórias locais.
A atividade foi coordenada por Mirela Araújo, coordenadora-geral do PNCC, e contou com a participação de Desiree Tozi, diretora de Articulação e Governança do MinC, que deu as boas-vindas aos agentes. Desiree incentivou os participantes a aproveitarem a energia do início do ano para se envolverem ativamente no ciclo de formação e a desenvolverem ações que sejam estruturadas, integradas e que reflitam as articulações feitas nos encontros regionais e nacional.
Formação Colaborativa com Institutos Federais
Representantes de Institutos Federais que colaboram com o PNCC também estiveram presentes, incluindo a Pró-Reitora de Extensão do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Samira Delgado; o professor do Instituto Federal de Goiás (IFG), Abilio Carrascal; e a professora do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), Sandra Corrêa Vieira. Estes educadores têm um papel fundamental na formação dos agentes, oferecendo apoio e expertise durante o processo.
Durante a atividade, o MinC também recebeu o professor Jailson de Souza e Silva, um renomado geógrafo e fundador do Observatório de Favelas. Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de provocar uma mudança na percepção sobre os territórios, combatendo estigmas antigos que cercam as comunidades periféricas.
Transformando o Olhar sobre as Periferias
O conceito de cartografia social vai além de um simples mapeamento; ele busca registrar a identidade das pessoas, seus afetos e as relações que estabelecem com o espaço onde vivem. Ao convidar os Agentes Territoriais a realizarem essa cartografia em suas regiões, o MinC propõe que se passe a enxergar as periferias não mais como áreas desprovidas de recursos, mas como centros de cultura, criatividade e força.
Jailson destacou que, por muitos anos, essas comunidades foram rotuladas com o que ele chama de ‘paradigma da ausência’. “Os territórios periféricos eram sempre vistos como lugares sem água, sem luz, sem acesso à renda. Precisamos olhar para as favelas como espaços de potência, de criação e sociabilidade, e isso deve partir de nós, intelectuais periféricos”, disse Jailson.
A Cartografia Social como Ferramenta de Autonomia
Patrícia Martins, coordenadora dos Comitês de Cultura no MinC, também participou da discussão e enfatizou a importância da cartografia social como uma ferramenta que garante autonomia aos moradores dos territórios. “Esse método inverte a lógica: somos nós quem falamos sobre nós. Somos nós que expressamos o que queremos para nossa comunidade e sabemos o que realmente desejamos”, ressaltou Patrícia.
Territórios como Relações Simbólicas
Durante a live, ficou claro que um território não é apenas um espaço delimitado geograficamente, mas é construído por pessoas e suas relações. “Territórios são, acima de tudo, relações”, afirmou Jailson, enfatizando que essas interações vão além do âmbito físico e material, englobando também as trocas simbólicas que ocorrem entre as pessoas.

