Resgate da trajetória da moda e sustentabilidade local
Fátima Nunes, estilista e pesquisadora com 70 anos, lançou em Santa Cruz do Capibaribe o projeto “Memórias Costuradas”. A proposta valoriza a história da moda na cidade e promove o reaproveitamento dos resíduos têxteis, integrando sustentabilidade ao contexto econômico local. Além da criação de uma coleção especial, o projeto inclui palestras em escolas públicas municipais para ampliar o conhecimento sobre reaproveitamento e sustentabilidade.
Desfile remete à década de 1950 e origem do polo têxtil
No dia 23, 14 looks foram apresentados no Centro de Eventos do Moda Center, com uma narrativa visual que revive as práticas da década de 1950. Naquele período, mulheres da região transformavam sobras de tecidos vindas das fábricas de Recife em roupas e cobertas, comercializando o excedente nas ruas. Essa atividade deu início ao polo de confecções que hoje abastece o mercado nacional.
Fátima destaca que muitos jovens desconhecem essa trajetória. “Santa Cruz do Capibaribe foi pioneira na atividade que se expandiu para Caruaru, Toritama e Surubim”, afirma a cientista social.
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Fonte: odiariodorio.com.br
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Produção sustentável enfrenta desafios e busca ampliar impacto
Trabalhar com retalhos foi o maior desafio para a estilista. “Usei pequenos resíduos que quase seriam descartados como lixo. Pesquisei bastante e conversei com os produtores, que inicialmente resistiram a doar o material”, conta. A insistência e o diálogo foram essenciais para viabilizar a coleção.
O projeto busca ampliar a visibilidade sobre o reaproveitamento dos resíduos têxteis, unindo moda, economia e sustentabilidade. “Queremos incentivar o debate sobre o destino desses materiais e ampliar o conhecimento. Em duas escolas públicas, só dois alunos de 130 conheciam o tema”, revela.
Setor têxtil local enfrenta cenário econômico cauteloso
O setor têxtil em Santa Cruz do Capibaribe passa por um momento que exige atenção. Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Setor Têxtil e de Confecções (ICETEC) de agosto, o segmento enfrenta estoques elevados e inadimplência, apesar da expectativa de recuperação.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Diego Barbosa de Moura, presidente da Associação Empresarial de Santa Cruz do Capibaribe (ASCAP), ressalta a importância do planejamento. “A macroeconomia influencia o momento. É fundamental acompanhar os pedidos, produzir com planejamento e preservar a rentabilidade”, afirma.
Ele destaca os desafios atuais: manter preço competitivo, garantir qualidade e margem de lucro, enfrentar a concorrência dos produtos importados, além de lidar com a necessidade de capital de giro e preparação para a reforma tributária. “Os empresários precisam de flexibilidade, gestão eficiente, qualificação e acesso a crédito”, complementa.
Relevância econômica do setor para a região
Dados da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE) revelam que o setor têxtil de Santa Cruz do Capibaribe faturou cerca de R$ 7 bilhões no último ano. Esse resultado reforça a importância da atividade para a economia local e nacional, impactando diretamente empregos, renda e negócios na região.

