Alianças Estratégicas para Fortalecimento Político
No cenário político brasileiro, a falta de um projeto hegemônico levou os partidos PT e PL a optarem por candidaturas limitadas a governadores em 2026. A estratégia é clara: ambos os lados buscam fortalecer suas bancadas no Legislativo, apostando na formação de parcerias para a escolha de governadores e na montagem de chapas robustas para a eleição de deputados e senadores. Com isso, a intenção é aumentar a influência do próximo governo no Congresso Nacional.
Entre os nomes mais cogitados, estão o atual presidente Lula (PT), que deverá se candidatar à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cujo futuro político ainda gera incertezas, mesmo entre seus fiéis aliados.
No que diz respeito às candidaturas estaduais, o PT pretende lançar nomes apenas onde já detém a administração, como na Bahia, onde Jerônimo Rodrigues é o indicado; no Ceará, com Elmano de Freitas; e no Piauí, com Rafael Fonteles. Em outros estados, o partido se concentrará em alianças com legendas de esquerda e centro, como PSD, MDB e PSB, buscando ampliar seu alcance político.
Movimentações e Indefinições no PL
O PL, por sua vez, estará em busca da reeleição em Santa Catarina, onde Jorginho Mello é o candidato escolhido. O partido também considera a possibilidade de apresentar candidatos em outros dois estados: no Rio Grande do Sul, com o deputado Zucco, e em Alagoas, onde o prefeito de Maceió, JHC, é uma opção viável.
No contexto do Rio de Janeiro, a disputa promete ser acirrada, com o PL testando nomes para uma possível candidatura própria a governador. O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), destacou que ainda não há um nome definido para a pré-candidatura, mas reafirmou que tanto o governador Cláudio Castro quanto Flávio Bolsonaro decidirão sobre os rumos do partido na região.
Em Minas Gerais, a indefinição é uma constante. Assim como no Rio, há uma chance de que tanto o PL quanto o PT optem por não lançar candidatos próprios. Nomes já surgiram na oposição, buscando apoio do PL, como o vice-governador Matheus Simões (PSD) e o senador Cleitinho (Republicanos).
O Papel de Lula e suas Estratégias para o Senado
Por outro lado, Lula continua a trabalhar para convencer o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), a se candidatar, embora Pacheco resista à ideia. Caso decida entrar na disputa, terá que mudar de partido, já que o PSD já está alinhado com Simões. O PT, por sua vez, não descarta a possibilidade de lançar uma candidatura própria em Minas, com nomes como a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e Marília Campos, prefeita de Contagem, também em pauta.
O foco do PT, no entanto, permanece na eleição para o Senado, onde Marília Campos aparece com resultados promissores em pesquisas. O deputado Jilmar Tatto, vice-presidente do partido, afirmou: “Em Minas e São Paulo, as decisões caberão a Lula. A prioridade é o Senado e a Câmara. Estamos dispostos a formar acordos para eleger deputados e, se necessário, para apoiar a reeleição de Lula”.
Perspectivas para São Paulo e o Cenário Geral
Em São Paulo, a situação também está cercada de incertezas. Figuras de destaque, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do PT, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, estão no radar para o Senado. Haddad, com planos de deixar o ministério em fevereiro para auxiliar na campanha de reeleição de Lula, tem mostrado reticência em relação a uma candidatura.
Além disso, a possibilidade de Flávio Bolsonaro, lançado como candidato por seu pai, o ex-presidente Bolsonaro, não tem gerado entusiasmo nos partidos do Centrão. A eventual decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de se candidatar à presidência pode alterar o cenário, aumentando as chances de candidaturas próprias entre partidos como PSD, MDB e PL para o governo estadual.
A fragmentação de candidaturas à direita pode, por outro lado, enfraquecer os palanques do PL. O PSD avalia lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior, enquanto o União Brasil apresenta Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e o Novo menciona o governador de Minas, Romeu Zema, como pré-candidatos.
Com as dificuldades em unir a direita, os partidos veem a montagem de palanques para o Senado como uma alternativa para manter a influência do bolsonarismo, mesmo diante de um cenário em que Lula possa ser reeleito. As eleições de 2026 trarão a renovação de dois terços do Senado, e Bolsonaro já manifestou em várias ocasiões que, mesmo com sua derrota no Palácio do Planalto, se seu grupo alcançar mais de 50% na Casa, ainda terá um papel fundamental nos rumos do país.
Uma das grandes apostas é Carlos Bolsonaro (PL), que deve disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina, ao lado do governador Jorginho Mello. Essa aliança, no entanto, tem gerado tensões, uma vez que as vagas também são disputadas pela deputada Caroline de Toni (PL-SC) e pelo senador Esperidião Amin (PP), que busca reeleição.
Por ora, Carlos é considerado o nome mais forte devido ao apoio do ex-presidente, enquanto De Toni e Amin ainda lutam por uma segunda vaga. Entre os bolsonaristas, há confiança de que conseguirão garantir as duas vagas no estado. Simultaneamente, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL), pode concorrer ao Senado pelo Distrito Federal, onde ela também deve enfrentar outros candidatos, como o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e a deputada Bia Kicis (PL), criando um cenário que exigirá uma acomodação interna entre os postulantes.

