Tradição e Economia Andam Juntas no Queijo Coalho
Mais do que um alimento diário na mesa dos pernambucanos, o queijo coalho é um símbolo que carrega séculos de história, tradição familiar e um papel significativo para a economia do interior de Pernambuco. No Agreste e no Sertão do Araripe, a produção desse queijo artesanal movimenta centenas de produtores rurais, fortalece a agricultura familiar e mantém vivas técnicas transmitidas de geração em geração.
O estado se destaca no cenário nacional pela produção de leite, com uma média de 3,5 milhões de litros diários, sendo o Agreste a maior bacia leiteira de Pernambuco e líder no Nordeste. Esse crescimento impulsiona também a produção de derivados, especialmente o queijo coalho, cada vez mais valorizado no mercado local e regional.
Agreste: Maior Bacia Leiteira do Nordeste
Segundo Romildo Albuquerque Bezerra, presidente da Associação de Certificação do Queijo Coalho da Região do Agreste, a produção diária gira em torno de 250 mil quilos de queijo coalho. “O primeiro queijo coalho foi feito em 1584 e até hoje mantemos essa tradição. Atualmente, os consumidores buscam queijos com garantia de origem”, afirma Romildo.
A história do queijo remonta ao período colonial, quando a pecuária se expandiu para o interior do Nordeste devido à proibição da criação de gado próxima ao litoral. Essa mudança deslocou a atividade leiteira para o Sertão e o Agreste, onde o leite abundante deu origem a produtos como manteiga, doces e, principalmente, o queijo coalho, que se tornou um símbolo da cultura alimentar regional.
No Agreste, fatores climáticos, como altitude e temperaturas amenas, favorecem a pecuária leiteira e o cultivo da palma forrageira, alimento essencial para o gado. Municípios como Garanhuns, São Bento do Una, Belo Jardim, Pesqueira, Buíque, Bom Conselho e Sanharó consolidaram a região como um dos principais polos de produção leiteira do Nordeste.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
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Fonte: atividadenews.com.br
Características e Participação Feminina na Produção
O queijo coalho do Agreste é produzido com leite bovino cru integral e tem formato retangular, pesando até um quilo. Sua superfície lisa e bordas definidas acompanham uma textura macia e firme, com sabor que privilegia a coalhada, apresentando leve acidez e equilíbrio no sal. Essa combinação confere ao produto uma identidade sensorial única.
A produção artesanal tem forte participação feminina. No passado, as mulheres eram as principais responsáveis pela fabricação do queijo, conciliando essa atividade com tarefas domésticas e rurais. Inicialmente visto como alimento simples do interior, o queijo coalho ganhou valor e hoje ocupa espaço em feiras, mercados e centros urbanos.
Sertão do Araripe: Identidade Própria e Crescimento da Produção
No Sertão do Araripe, o queijo coalho também tem trajetória centenária e características próprias. Municípios como Exu, Araripina, Ouricuri, Bodocó, Santa Cruz e Granito mantêm viva a tradição artesanal, passada de geração em geração.
De acordo com Paulo Ricardo da Silva, presidente da Associação dos Produtores de Queijo Coalho do Sertão do Araripe, a produção diária é de cerca de 20 mil quilos, sendo que Bodocó responde por metade desse volume. “Os números têm crescido”, destaca Paulo Ricardo.
A principal diferença do queijo do Araripe está no uso do leite pré-cozido durante o processo, conferindo textura, sabor e consistência distintas em relação ao queijo do Agreste. Essa singularidade foi reconhecida oficialmente pela Lei Estadual nº 17.673/2022, que criou a denominação “Queijo de Coalho do Araripe”.
Fortalecimento da Cadeia Produtiva e Certificação
Nos últimos anos, instituições como Sebrae Pernambuco, Adepe e Senai têm atuado no fortalecimento da cadeia produtiva da região por meio do Programa Queijos do Araripe. As ações incluem capacitações, consultorias técnicas, melhorias em embalagens e suporte para certificações sanitárias.
O reconhecimento da qualidade do produto ganhou destaque em 2025, quando a Agrinordeste instituiu uma categoria exclusiva para o “Queijo de Coalho do Araripe” no Concurso de Lácteos, ampliando a visibilidade do produto no mercado gastronômico estadual.
Além disso, o queijo coalho do Agreste e do Sertão do Araripe buscam o reconhecimento como Indicação Geográfica (IG), com apoio do Sebrae/PE e da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe). Essa certificação valorizará a produção, preservará as tradições e abrirá novas oportunidades comerciais para os produtores.
Riquezas de Pernambuco: Valorizando a Economia Local
O queijo coalho é tema de um episódio da série “Riquezas de Pernambuco”, produzida pelo Sebrae/PE, que destaca as cadeias produtivas que impulsionam o desenvolvimento local. A iniciativa reconhece os protagonistas dessas tradições e revela como o saber-fazer regional transforma vidas e movimenta economias.
Os episódios são exibidos semanalmente no canal youtube.com/sebraepe, ampliando o alcance da cultura e economia do queijo coalho pernambucano.

