Programa de Atiçamento Cultural em Foco
O Regatão, primeiro Pontão de Cultura oficialmente reconhecido em Alter do Chão, é motivo de orgulho e esperança para os povos da Amazônia. “Essa conquista é uma vitória que reflete a luta pela valorização de nossas culturas, buscando fortalecer a autonomia de nosso território”, disse Marlena Soares, diretora executiva do Regatão. O objetivo do Regatão é claro: conectar, formar e fortalecer coletivos culturais, ampliando o acesso à cultura e promovendo a organização institucional nas terras amazônicas.
Em 2026, o Programa de Atiçamento Cultural apresentará um robusto calendário de atividades, com previsão de 51 ciclos de formação nas áreas de dança, gestão cultural e acessibilidade. Essas iniciativas visam aprimorar as práticas artísticas e fortalecer a estrutura organizacional local, assegurando autonomia e sustentabilidade para as iniciativas culturais na região.
O programa inclui 65 eventos e exibições audiovisuais, abrangendo a realização de 40 edições da “Quinta do Mestre”, cinemas itinerantes em comunidades ribeirinhas e fóruns de diálogo. Além disso, serão entregues 10 prêmios para iniciativas locais, complementadas por quatro frentes de pesquisa focadas no mapeamento e na salvaguarda cultural. As inscrições para o primeiro ciclo podem ser feitas nas plataformas do Instituto Regatão.
Uma Resposta à Exploração Histórica
O Programa de Atiçamento Cultural surge em resposta aos modelos de desenvolvimento que historicamente exploram a Amazônia, excluindo suas populações das decisões sobre seus territórios. Para o Instituto, a preservação da floresta está intrinsecamente ligada à força das organizações que defendem e habitam estas áreas. Essa abordagem sublinha a importância da autonomia das comunidades na preservação cultural e ambiental.
Inspirado pela figura do “regatão”, comerciante fluvial que estabelecia conexões entre comunidades ribeirinhas, o Programa de Atiçamento transforma o conceito de circulação de mercadorias em uma troca de saberes e capacidades. Se no passado o “regateiro” transportava bens materiais, hoje o Instituto Regatão oferece formação institucional, ferramentas de gestão e apoio à mobilização de recursos, promovendo um ciclo de aprendizado e crescimento.
Com o reconhecimento como Pontão de Cultura e o lançamento do Programa de Atiçamento, o Regatão solidifica sua posição como uma organização que atua na interseção de cultura, território, comunicação, justiça socioambiental e autonomia comunitária. “A cultura viva se realiza em rede. Assim como nos rios, ninguém navega sozinho”, concluiu Marlena, destacando a importância da colaboração e do apoio mútuo entre as comunidades.

