Celebrando a Cultura do Choro
A Roda de Conversa, promovida pelo Sesc São Paulo, surge como um espaço de diálogo sobre as dinâmicas culturais periféricas que se entrelaçam com o gênero musical do choro. Este evento é voltado principalmente para artistas e educadores que atuam em diferentes campos da arte, proporcionando um protagonismo essencial na valorização das identidades locais. A proposta é descentralizar o choro, gênero emblemático da música brasileira, levando-o para além dos palcos tradicionais e inserindo-o nas práticas culturais do cotidiano da comunidade.
Beatriz Carvalho, uma artista multifacetada da zona leste de São Paulo, destaca-se nesse contexto. Com uma trajetória que inclui atuação como cantora, percussionista, produtora cultural e professora de pandeiro, Beatriz enriquece sua prática com pesquisas sobre as tradições da cultura popular brasileira. Desde seus primeiros estudos autodidatas até a formação na Escola de Choro de São Paulo, sua jornada reflete um compromisso com a preservação e a inovação no âmbito musical.
Beatriz se apresenta em diversos espaços culturais, como bibliotecas públicas e Centros Culturais, além de fazer parte de coletivos significativos como Auá Cantadoras e sua Gente, que celebra as vozes femininas da música, e o Trio Turano, que foca na diversidade da música popular brasileira. Seu trabalho também integra o Arrumadinho de São Miguel, que explora ritmos nordestinos, e o Regional Mateus Santos, que busca descentralizar o choro e preservar sua rica história.
Artistas e Ações que Transformam
Outra representante desse movimento é Camila Silva, uma talentosa musicista e compositora que iniciou sua trajetória musical na infância, influenciada por seu pai. Formada em cavaquinho pela EMESP e licencianda em Música pela Unesp, Camila já se apresentou em diversos palcos, evidenciando a força do samba, choro e forró em sua música. Sua colaboração com artistas renomados como Fabiana Cozza e Teresa Cristina a coloca em um espaço de destaque na cena musical.
Samuel Silva, um violonista autêntico, traz para sua música uma mistura de samba e choro que reflete sua vivência em São Miguel Paulista. Iniciou sua jornada musical de forma autodidata e se aprofundou na pesquisa de grandes mestres do violão, como Dino 7 cordas. Samuel também é conhecido por seu projeto “Choro das Estações”, que promove a música instrumental em praças públicas e escolas, tornando a arte acessível a todos.
Koka Pereira, outro artista envolvido neste circuito, começou sua carreira musical em 1987, participando de um bloco carnavalesco. Com uma sólida formação em percussão, ele se destaca como diretor de bateria em escolas de samba e por sua atuação pedagógica em projetos sociais. Ao longo de sua trajetória, Koka acompanhou grandes nomes da música brasileira e integrou grupos que conquistaram diversos prêmios, solidificando sua relevância na cena cultural.
Uma Cena Musical em Ascensão
Zuê Silva, cantora e pesquisadora, também faz parte do time de artistas que representam a riqueza do choro na periferia. Com um mestrado em Direitos Sociais e Políticas Públicas, Zuê tem se dedicado a promover a música como uma ferramenta de transformação social. Seu EP autoral, “Mensageiro”, resgata clássicos do choro e homenageia grandes cantoras do gênero, ampliando ainda mais as possibilidades de conexão entre o passado e o presente musical.
A acessibilidade é uma preocupação central deste evento, que contará com interpretação em Libras, garantindo que todos possam participar das discussões e celebrações em torno do choro. A Roda de Conversa é uma das iniciativas do projeto Chora Leste, que busca não apenas discutir, mas também ampliar as visibilidades e os protagonismos dentro da produção musical do choro na Zona Leste de São Paulo.
O projeto não apenas destaca a pluralidade do choro, mas também promove diálogos com as novas produções que emergem dentro deste gênero musical, colocando o Sesc Belenzinho como um importante ponto de encontro na celebração do Dia Nacional do Choro, celebrado em 23 de abril, data que marca o aniversário do maestro Pixinguinha. Este evento é uma oportunidade imperdível para aqueles que desejam vivenciar a autenticidade e a inovação do choro contemporâneo, contribuindo para uma cena musical mais inclusiva e diversa.

