A Conexão de Sarajane com o Público Jovem
Após uma pausa de 14 anos sem se apresentar no Rio de Janeiro, Sarajane, aos 57 anos, retorna com força total para o carnaval carioca. No dia 30, a artista soteropolitana participará do Baile de Novela, promovido pelo bloco Fogo e Paixão, no Jockey Club, trazendo consigo toda a energia efervescente que a consagrou desde os 19 anos. Ela expressa entusiasmo pela participação: “Achei o máximo, porque eles são fogo e paixão mesmo. É uma banda que traz tanta alegria, energia positiva… e que tem a cara do Rio, a cara do Brasil. Vou cantar meus sucessos”, revela pelo telefone.
O conceito de “a roda” tem sido fundamental para a relação de Sarajane com as novas gerações da música brasileira. Recentemente, regravou suas músicas em colaboração com artistas contemporâneos, como o DJ O Mandrake e a cantora e drag queen Nininha, de Salvador. Para a artista, a versão original da canção em seu repertório contém elementos que se conectam ao funk das periferias brasileiras hoje em dia, o que a leva a afirmar: “Estou aberta ao que chega de novo, porque acho que a gente não tem que parar.”
Uma Nova Geração em Sintonia com a Música
Sarajane testemunhou a renovação de seu público de forma palpável. Em 2025, durante um carnaval em Salvador, teve uma experiência reveladora ao se apresentar com o MC O Kannalha, um fenômeno da música periférica. “Ele chegou me reverenciando e aí veio aquele público de 15, 16, 17 anos, cantando junto comigo, isso é grandioso, isso é o que vale para mim”, compartilha emocionada.
A cantora reflete sobre a evolução da música ao longo das décadas, lembrando que, em 1987, sua canção “A roda” fez sucesso com letras que poderiam ser consideradas polêmicas na época. Ela enfatiza: “Eu não tenho preconceito, acho que todo mundo tem sua luz”, e questiona os críticos da nova musicalidade. “Quando dizem ‘ah, mas tal música é barra-pesada’, aí eu digo: ‘Gente, vocês estão ficando velhos!’”.
Um Passado Rico e uma Presente Brilhante
Nas últimas décadas, Sarajane manteve-se presente na cena musical. Em 2020, lançou o EP “Liquidificação”, reunindo colaborações de vários ícones da música brasileira, como Claudia Leitte e Ivete Sangalo. Durante a pandemia, suas lives no formato A Roda foram um verdadeiro sucesso, onde mostrava seu cotidiano e entrevistava artistas.
Em 2025, no carnaval de Salvador, ela também celebrou os 40 anos do axé music, um movimento que começou com Luiz Caldas. Relembrando sua trajetória, Sarajane recorda: “Minha passagem pelo Trio Tapajós foi curta, mas muito marcante.” Com um início de carreira aos 14 anos, ela destaca suas experiências em eventos significativos, como cantar na Praia de Copacabana durante um campeonato de futebol.
Família e Reflexões sobre a Vida
Além de sua carreira, Sarajane também se orgulha de sua família. Mãe solo, ela recorda com carinho a educação de seus cinco filhos, todos com carreiras bem-sucedidas. “Cada diploma que a gente recebe de um filho é como se fosse um papel cumprido”, reflete.
Recentemente, a artista também fez declarações surpreendentes sobre sua vida pessoal, identificando-se como assexuada. “Eu amo estar comigo mesma. Não quero casar, não quero ninguém”, diz com determinação. Para ela, a autoconfiança e o amor-próprio são primordiais na vida de uma mulher.
Desafios e Retorno à Música
Após um período afastada devido a problemas de saúde e depressão, Sarajane retornou à música, motivada pelo carinho de seus fãs. Seus primeiros shows após o retorno foram uma grata surpresa, com a casa onde se apresentou lotada. Com um repertório eclético, a artista tem explorado várias vertentes musicais, sem se limitar a rótulos. “Eu não me coloco em papel, acho que é de uma grande responsabilidade”, diz com um sorriso.
Após o Casabloco, Sarajane seguirá para Pernambuco, onde participará do projeto Estação da Luz, junto ao maestro Spock. Em fevereiro, iniciará seu bailinho Um Axé para Você, convidando a todos para celebrar a diversidade e a música nova. “Eu sempre digo que, se tem um rei da axé music, se tem um pai, foi o Chacrinha, porque ele acreditou no que eu falei”, conclui orgulhosa.

