Programação Cultural no Complexo Funarte
O Complexo Cultural Funarte em São Paulo abriga a vibrante programação da Companhia Mungunzá, que, após ter suas atividades no Teatro de Contêiner suspensas, continua a oferecer arte ao público. Desde sua fundação em 2017, a companhia se destaca pela sua contribuição ao panorama artístico, cultural e social tanto na capital paulista quanto no país. Entre os dias 3 de abril e 24 de maio, os espectadores poderão assistir a três espetáculos de seu repertório, todos com entrada gratuita. Os ingressos devem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla.
A história do Teatro de Contêiner Mungunzá, que se tornou um importante equipamento cultural, teve um desfecho inesperado em maio de 2025. A Prefeitura de São Paulo notificou a companhia sobre a necessidade de desocupação do terreno onde se localizava, um espaço que desenvolveu um trabalho significativo ao longo dos anos. Desde então, o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Nacional de Artes (Funarte) têm mediado as negociações. Após tentativas frustradas de transferir a sede para outro local, o teatro foi finalmente desmantelado em 21 de março deste ano, levando a companhia a realizar suas atividades no Complexo Cultural Funarte.
Espetáculos em Cartaz
A temporada de apresentações começa com “anonimATO”, sob a direção de Rogério Tarifa. Com direção musical de Zimbher e texto de Verônica Gentilin, a peça terá sessões nos dias 3, 4 e 5 de abril, às 16h, com uma apresentação extra no dia 3, às 11h. “anonimATO” é descrito como uma ode ao teatro que promove um diálogo com a urbe e seus habitantes, unindo atores, músicos, bonecos e poesia em cena.
A narrativa gira em torno de oito personagens anônimos que representam a diversidade da vida urbana: a mãe, a mulher-árvore, a vendedora de sonhos, entre outros. Eles se reúnem para um ato simbólico, refletindo sobre a coletividade e as transformações pessoais que ocorrem nesse processo.
Outro destaque da programação é “Luis Antonio-Gabriela”, sucesso consolidado que já foi apreciado por milhares de pessoas em todo o Brasil e conquistou prêmios renomados, como o Shell e o APCA. Com sessões entre 10 e 26 de abril, a peça é um documentário cênico que narra a vida de Gabriela, uma travesti que, aos 30 anos, decide enfrentar os preconceitos familiares e mudar-se para a Espanha. A obra explora sua jornada desde o nascimento até sua morte, em 2006, e examina a descoberta da homossexualidade em um contexto de repressão, durante a ditadura militar brasileira.
O grupo também apresenta “Elã”, com direção de Isabel Teixeira, de 8 a 24 de maio. Esta peça, inspirada no “Livro de Linhas”, entrelaça oito histórias criadas por atores-escritores em diferentes tempos e espaços. O público é convidado a escolher suas perspectivas, montando assim uma narrativa própria a partir dos relatos.
Sobre a Companhia Mungunzá
A Cia. Mungunzá, considerada uma das mais inovadoras do Brasil, foi fundada em 2008 e desde então desenvolve uma pesquisa cênica contínua, onde arte e vida se entrelaçam. O grupo é reconhecido por sua abordagem inclusiva, trabalhando com diretores convidados e mantendo a vivacidade nos processos criativos. A Mungunzá busca fomentar um hibridismo nas expressões artísticas, considerando a encenação como uma forma de dramaturgia e o ato performático como uma prática de atuação.
Em 2017, a companhia criou o Teatro de Contêiner Mungunzá, um espaço cultural independente que se destacou por sua programação e por um impacto significativo em comunidades vulneráveis. Com uma arquitetura sustentável, o teatro tornou-se um modelo de ocupação artística até culminar no despejo de 2025, mantendo viva a luta pela sua reconstrução enquanto avança em meio a desafios legais.

