Um Novo Vocabulário para uma Nova Geração
Em 2025, a intersecção entre as gerações Millennials e Z ganhou destaque nas redes sociais, onde o medo de perder algo, conhecido como FOMO, se transformou em um combustível para novos comportamentos. O início do ano trouxe à tona essa sensação de ansiedade coletiva, enquanto os usuários buscavam incessantemente por tendências e novidades em plataformas como TikTok e Instagram. O que antes era apenas uma sigla, agora reflete uma realidade que impacta a saúde mental, especialmente entre os jovens. O desdobramento desse fenômeno resultou em uma rica coleção de novos termos que retratam as interações e dinâmicas sociais contemporâneas, e vamos explorar alguns deles.
FOMO
O FOMO, ou fear of missing out, tornou-se uma constante na vida digital. A inquietação de não acompanhar as últimas novidades e fofocas impulsiona um comportamento de conexão ininterrupta, algo que, segundo especialistas, pode aumentar a ansiedade dos jovens. Essa pressão por estar sempre atualizado destaca não apenas a efemeridade das tendências, mas também um retrato da cultura atual, onde a velocidade da informação é a norma.
Shreking: O Amor Sem Padrões
O termo ‘Shreking’ emergiu como uma resposta à estética tradicional nos relacionamentos. Inspirados pelo icônico personagem de animação, muitos começaram a valorizar a profundidade emocional em vez da aparência física. Essa mudança de perspectiva ganhou destaque com relacionamentos de figuras públicas como Selena Gomez e Benny Blanco, que se tornaram referências de romances autênticos que desafiam os padrões convencionais de beleza.
“Ter um Namorado é Vergonhoso?”
Essa provocação gerou debates calorosos nas redes sociais, especialmente entre as mulheres jovens. O questionamento, que teve início com uma reportagem da Vogue britânica, se aprofundou em temas como identidade, medo de exposição e pressões sociais. O resultado foi uma reflexão sobre as expectativas que ainda cercam os relacionamentos, trazendo à tona a luta da Geração Z para se afirmar em um mundo que constantemente impõe normas.
Parassocial: Conexões Emocionais Unilaterais
Escolhida como a Palavra do Ano pelo Dicionário Cambridge, ‘parassocial’ descreve a intensa e muitas vezes unilateral conexão que os fãs desenvolvem com celebridades e influenciadores. Esse conceito, que remonta a 1956, ganhou nova vida com a popularização de interações emocionais nas redes sociais, revelando como a percepção de intimidade entre idols e fãs pode ser, ao mesmo tempo, profunda e ilusória.
Gnarly: A Ambiguidade dos Tempos Modernos
‘Gnarly’ resgatou sua popularidade em 2025, especialmente entre a comunidade LGBTQIA+, impulsionado pelo sucesso do grupo de K-pop KATSEYE. A palavra, que pode ter significados opostos dependendo do contexto, ilustra a fluidez das expressões culturais contemporâneas, sendo utilizada tanto para descrever algo incrível quanto para criticar. Essa dualidade foi capturada de maneira brilhante na música, que se tornou um verdadeiro fenômeno entre os ouvintes.
Farmar Aura: A Nova Estética Digital
A expressão ‘farmar aura’ emergiu de um vídeo viral de um garoto indonésio e rapidamente se tornou sinônimo de construir uma presença social autêntica e atraente. O termo combina a ideia de “farming” dos jogos, que envolve acumular recursos, com “aura”, referindo-se ao carisma e charme individual que se traduz em engajamento social. Essa nova forma de autopromoção, que se revela tanto offline quanto online, reflete a busca incessante por reconhecimento e validação nas redes.
Outlike: O Poder da Imitação
O termo ‘outlike’ emergiu nas interações do X (antigo Twitter) para descrever situações em que um comentário ou repost recebe mais curtidas do que o conteúdo original. Essa nova métrica cultural sugere que a inteligência e relevância de um comentário podem superá-lo, destacando o quanto o engajamento digital é uma dança complexa entre originalidade e repetição.
Performar: A Nova Realidade de Interações
O verbo ‘performar’ ganhou força em 2025, definindo comportamentos encenados nas redes sociais. Desde a criação de personas estéticas até a crítica de ações que buscam validação, a palavra retrata as dinâmicas digitais como coreografias cuidadosamente elaboradas. Essa dinâmica suscita um debate sobre a autenticidade nas interações online, questionando se ainda existem espaços para espontaneidade.
Jurandir: O Arquetípico Homem Indesejável
O ‘Jurandir’ se tornou a divertida versão brasileira do conceito de ‘shreking’, caracterizando homens que não se encaixam nos padrões de relacionamento desejáveis. Originado do personagem de uma série popular, o termo traz à tona a comédia de situações em que esses perfis indesejáveis parecem persistir nas vidas de muitas pessoas.
Gagacabana: O Marco do Show Histórico
O neologismo ‘Gagacabana’ explodiu nas redes em maio, após o icônico show gratuito de Lady Gaga na Praia de Copacabana. O termo encapsulou o furor coletivo e a celebração significativa do evento, que se destacou como um marco não apenas para a carreira da artista, mas para a comunidade LGBTQIA+ no Brasil. O impacto do show reverberou nas redes sociais, gerando memes e relatos emocionados que perpetuam a lembrança desse momento.

