A Importância do Brasil na Transição Democrática da Venezuela
O atual cenário da Venezuela, marcado por uma profunda crise política e social, gera reflexões sobre o papel que o Brasil poderia ter desempenhado na transição do país vizinho. Segundo Tarcísio de Freitas, ex-ministro e atual governador de São Paulo, o Brasil, sendo a maior economia da América do Sul, tinha a responsabilidade de liderar um processo democrático no país, que há anos se encontra em uma trajetória de autoritarismo e deterioração das liberdades individuais. Ele destaca que a Venezuela, que chegou a ser um dos países mais prósperos da região, agora enfrenta um dos maiores êxodos populacionais da história moderna, com cerca de 25% de sua população deixando o país.
De acordo com Tarcísio, a perda dos direitos democráticos e o colapso das instituições têm sido acompanhados por uma influência crescente do narcotráfico, que agrava ainda mais a situação socioeconômica. O ex-ministro enfatiza a necessidade de um novo ciclo de prosperidade e esperança para a Venezuela. ‘É um renascimento. A população merece uma chance de recomeçar e abandonar esse ciclo ruim’, afirma.
Desafios Históricos e Omissão do Brasil
O político menciona que, ao longo dos anos, o Brasil se omitió em sua função de liderança na região. Mesmo diante das crises políticas que se sucederam, como os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, o Brasil nunca se posicionou como um ator ativo na promoção de uma solução democrática para a Venezuela. Tarcísio critica a postura do Brasil, que, segundo ele, poderia ter facilitado uma mudança política menos traumática e mais negociada.
Ele observa que o regime de Maduro, além de prejudicar a Venezuela, trouxe consequências negativas para os países vizinhos. ‘O governo se sustenta pelo narcotráfico e impõe uma atmosfera de terror, restringindo a liberdade dos cidadãos. Isso é insustentável e danoso para toda a América do Sul’, argumenta Tarcísio. Ele acredita que a saída de Maduro deve ser celebrada, pois representa uma oportunidade de reerguer a democracia na Venezuela, algo que a América do Sul deve apoiar coletivamente.
A Nova Esperança e a Necessidade de Reconstrução
Nos últimos anos, a deterioração do poder judiciário e das Forças Armadas na Venezuela tornou-se evidente, e a reconstrução das instituições democráticas é essencial, segundo Tarcísio. ‘É vital que o novo governo, que se espera que surja, tenha compromisso com um processo democrático, com eleições livres e respeitando a institucionalidade do país’, enfatiza.
Ele observa que a história recente da Venezuela e do Brasil está interligada, com ciclos de poder que, muitas vezes, foram apoiados por governos de esquerda no Brasil, o que, na sua opinião, não contribuiu para um fortalecimento das instituições democráticas na Venezuela. ‘Há a expectativa de um pragmatismo por parte do Brasil na construção de novas relações com um governo legítimo e democrático’, afirma Tarcísio, destacando a importância de investimentos e a reconstrução da infraestrutura do país.
O Papel do Brasil em um Futuro Próspero
Ao considerar o futuro da Venezuela, Tarcísio destaca que o Brasil deve estar preparado para enxergar as oportunidades que surgirão com a possibilidade de um novo governo. ‘O Brasil pode ser um parceiro fundamental nos investimentos e na reconstrução do país, que possui um grande potencial econômico, especialmente em recursos como o petróleo’, observa.
Além disso, ele menciona que a situação atual na Guiana, que está se desenvolvendo economicamente, pode ser um indicativo do que poderia acontecer na Venezuela com um governo estável e comprometido com o crescimento. ‘É hora de o Brasil adotar uma postura pragmática e se preparar para colher os frutos dessa nova fase que se aproxima na Venezuela’, conclui Tarcísio.

