Avanços na Oncologia Paulista
O secretário da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, assegura que o governo do estado, liderado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem cumprido com rigor a Lei dos 60 dias. Esta legislação assegura a todos os pacientes diagnosticados com câncer o direito de iniciar seu primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) em até 60 dias após a confirmação do diagnóstico em prontuário. Em entrevista à Folha, Paiva declarou: “Na fila do Cross, o sistema que organiza o encaminhamento de pacientes do SUS, não existem casos oncológicos aguardando há mais de 60 dias”. A afirmação foi feita em resposta a questionamentos sobre a espera de um paciente em um hospital estadual.
A recente reportagem da Folha destacou a situação do motorista Carlos José Cursino, de 58 anos, que foi diagnosticado com câncer de próstata há um ano. Apesar da indicação de cirurgia desde maio do ano passado, ele permanece na fila de espera do Hospital Estadual do Ipiranga, em São Paulo.
Desafios e Mudanças na Gestão
Segundo Paiva, atrasos pontuais podem ter surgido na instituição durante a transição de gestão do hospital, que assumiu a administração do Einstein Hospital Israelita no final de 2025. Além disso, o secretário mencionou que eventuais demoras podem ocorrer na etapa de regulação municipal. “Alguns municípios possuem sua própria regulação. Quando os pacientes chegam até nós, já podem ter esperado bastante tempo”, explicou. Para a família, o tempo de espera começa a contar desde o primeiro atendimento.
Ao assumir a secretaria, Paiva encontrou um panorama crítico na oncologia, com longas filas de espera. Desde então, sua estratégia focou na ampliação dos serviços disponíveis e na reestruturação regional da rede, utilizando dados para otimizar o tempo de atendimento. “Quando cheguei aqui, havia cerca de mil e quinhentas pessoas na fila. O que realmente me alarmou foi descobrir que 50% dessas pessoas estavam esperando há mais de oito meses”, relatou.
Aumento na Oferta de Tratamentos
Entre 2022 e 2025, houve um crescimento significativo nos atendimentos oncológicos no estado. Os tratamentos de quimioterapia aumentaram de 278.721 para 341.782, representando um crescimento de 22,6%. No caso da radioterapia, os atendimentos saltaram de 31.732 para 41.437, uma alta de 31%. As cirurgias oncológicas também tiveram um aumento considerável, passando de 54.238 para 79.988. “A cirurgia oncológica era um gargalo sério”, destacou Paiva.
Ainda que os números dos atendimentos tenham melhorado, o secretário admitiu que o total de pessoas na fila não diminuiu. Ao ser questionado sobre o tamanho atual da fila oncológica, ele afirmou não ter essa informação. Contudo, enfatizou que a ampliação dos serviços tem tornado São Paulo um destino atrativo para pacientes de outros estados. “Quando a velocidade do atendimento aumenta, mais gente de fora vem procurar os serviços aqui”, ressaltou, citando que cerca de 40% dos pacientes oncológicos da Unicamp são oriundos do sul de Minas Gerais.
Prioridade na Velocidade de Atendimento
Paiva destacou que o foco deve estar na eficiência do atendimento. “O importante não é apenas o tamanho da fila, mas sim a rapidez com que atendemos as pessoas”, afirmou. Ele revelou que o tempo médio de espera entre o diagnóstico e o tratamento caiu mais de 60%, reduzindo de cerca de 200 dias para aproximadamente 80 dias.
A Lei dos 60 dias, promulgada em 2012, garante que pacientes com câncer comprovado iniciem o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico formalizado em laudo patológico. Por sua vez, a Lei dos 30 dias, estabelecida em 2019, determina que exames para diagnósticos de câncer suspeito sejam realizados dentro de um prazo máximo de 30 dias.
Iniciativas para Melhorar o Atendimento
De acordo com Paiva, a análise da situação da oncologia no estado levou à adoção de duas diretrizes principais: a regionalização da assistência e a ampliação da capacidade instalada. “Não adianta melhorar a regulação se não aumentarmos a oferta. Portanto, é fundamental ampliar os serviços disponíveis”, disse.
A secretaria organizou oficinas regionais para identificar lacunas nos serviços oferecidos. Um exemplo citado foi a situação no Vale do Ribeira, onde foi identificado que a região não possuía nenhum aparelho de radioterapia. “Em até 90 dias, a primeira unidade de radioterapia do Vale do Ribeira estará em funcionamento”, informou o secretário, acrescentando que atualmente o estado conta com 86 unidades habilitadas em oncologia.
Humanização do Tratamento Oncológico
Além das questões estruturais, Paiva também enfatizou a importância de considerar os impactos emocionais dos tratamentos. No caso do câncer de mama, por exemplo, a secretaria aumentou o financiamento para apoiar a reconstrução mamária imediata após a mastectomia, elevando em até 400% o valor de um procedimento e 220% de outro, visando incentivar que a reconstrução ocorra simultaneamente com a remoção da mama. “Essa é uma forma de humanizar ainda mais o tratamento”, concluiu.

