UFPE Se Prepara para Ação Judicial
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizada em Caruaru, no Agreste do estado, anunciou que recorrerá às instâncias superiores após a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) que suspendeu o curso de Medicina oferecido através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). O reitor Alfredo Gomes, em entrevista à TV Asa Branca, ressaltou que essa suspensão não implica no fim da turma.
Gomes explicou que a sentença apontou irregularidades relacionadas aos educadores responsáveis pelas aulas. ‘O argumento central é de que, entre aqueles que podem se inscrever, conforme o decreto do Pronera, estão educadores que atuaram junto aos assentados e que poderiam ser estudantes. Este é um caso muito específico e não temos os educadores conforme argumentado’, comentou o reitor. Ele destacou o respeito à decisão do juiz e à instituição da Justiça, mas reafirmou o compromisso da universidade em adotar as medidas legais necessárias para garantir que as aulas continuem.
Informações sobre o Curso de Medicina
Desde dezembro de 2025, o curso de Medicina está sendo oferecido pela UFPE a 80 alunos de diferentes estados do país, por meio de uma parceria com o Pronera, voltada a beneficiários da reforma agrária, quilombolas e educadores do campo. Esta turma especial visa atender uma demanda por formação médica em áreas carentes de profissionais, promovendo inclusão social e educacional.
Contexto das Disputas Judiciais
A situação envolvendo o edital do curso de Medicina é marcada por uma série de disputas judiciais desde seu lançamento em setembro de 2025. Inicialmente, decisões judiciais chegaram a suspender o processo seletivo em várias ocasiões, até que o TRF-5 permitiu a realização da seleção e o início das atividades acadêmicas.
A decisão mais recente determina que as aulas sejam interrompidas ao final do primeiro semestre letivo, uma vez que as disciplinas já começaram em dezembro. A suspensão se manterá até que as irregularidades identificadas no processo sejam revisadas e corrigidas.
Críticas e Questionamentos
A origem das ações judiciais está relacionada às críticas do vereador do Recife, Tadeu Calheiros (MDB), que questionou o modelo de seleção dos estudantes e a criação de vagas específicas para o curso voltado a beneficiários da reforma agrária. O legislador argumentou que isso fere os princípios de igualdade e isonomia, fundamentais na educação.
Cronologia das Decisões Judiciais
- 10 de setembro de 2025 – Publicação do edital nº 31/2025 pela UFPE, visando a seleção de 80 alunos de Medicina, exclusivamente para beneficiários do Pronera.
- 24 de setembro de 2025 – Entidades médicas, como o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos, criticam a criação de vagas exclusivas.
- 01 de outubro de 2025 – A Justiça Federal suspende o edital, atendendo a uma ação popular do vereador Tadeu Calheiros, alegando ilegalidades no processo.
- 04 de outubro de 2025 – O Ministério Público de Pernambuco inicia um inquérito para investigar possíveis irregularidades no edital.
- 07 de outubro de 2025 – O TRF-5 derruba a liminar que suspendia o edital, ressaltando a legalidade do Pronera.
- 08 de outubro de 2025 – A Justiça Federal novamente suspende o edital, atendendo a um pedido de tutela de urgência.
- 10 de outubro de 2025 – O TRF-5 libera o processo seletivo, destacando a importância do Pronera.
- 12 de outubro de 2025 – O TRF-5 aponta novas irregularidades e determina a suspensão do curso a partir do próximo semestre.
Considerações Finais
As contestações judiciais em torno do curso de Medicina da UFPE refletem um debate mais amplo sobre inclusão e equidade no acesso à educação superior no Brasil. A reitoria da universidade reafirma seu compromisso com a legalidade e a continuidade do curso, enquanto aguarda as definições das instâncias superiores sobre as irregularidades apontadas.

