Um Gesto que Salva Vidas
A dor da perda de um ente querido se transformou em esperança para muitas pessoas nesta sexta-feira, 6, no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse). A terceira captação de órgãos do ano na unidade ocorreu graças à generosidade da família de um jovem de 22 anos, que perdeu a vida em um grave acidente de motocicleta na cidade de Lagarto, localizada na região centro-sul do estado.
O jovem foi admitido no Huse em estado crítico, apresentando traumatismo cranioencefálico grave. Apesar de todos os esforços realizados pela equipe de profissionais de saúde, a morte encefálica foi confirmada após a finalização do protocolo, que foi concluído nesta sexta-feira. Em meio à dor do luto, a família tomou a difícil decisão de aceitar a doação dos órgãos.
Durante o procedimento, foram captados o fígado, os rins e as córneas. O fígado seguiu para o Ceará; o rim direito foi destinado ao Rio Grande do Norte; e o rim esquerdo foi encaminhado a Pernambuco, onde será transplantado em um paciente sergipano que aguardava por compatibilidade na fila de espera. As duas córneas permanecerão em Sergipe e serão direcionadas ao Banco de Olhos, onde passarão por avaliação, preparo e distribuição, beneficiando dois pacientes locais que aguardam pelo procedimento e têm a chance de recuperar a visão.
Essa decisão da família transcendeu as fronteiras do luto, oferecendo uma nova vida para aqueles que dependem de um transplante para sobreviver. A doação de órgãos é um ato que pode impactar várias vidas ao mesmo tempo.
A Importância da Organização de Procura de Órgãos
Darcyana Lisboa, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO), enfatiza que a doação vai além de um simples procedimento médico. “A doação de órgãos é, acima de tudo, um ato de solidariedade que salva vidas. Um único doador pode beneficiar várias pessoas e afetar profundamente famílias que esperam por uma chance de continuar vivendo”, destacou.
Ela complementa que o trabalho da OPO começa ainda na identificação de potenciais doadores e abrange o acompanhamento clínico e o acolhimento das famílias em um momento extremamente sensível. “Após a autorização da doação, acionamos a Central Estadual de Transplantes, que organiza toda a logística para que os órgãos cheguem rapidamente a quem precisa. É um trabalho silencioso, técnico e muito humano, que conecta a doação ao transplante”, explicou Darcyana.
Rafael Tavares, médico cirurgião geral da equipe da OPO, também comentou sobre o avanço dos serviços de doação no estado. “Cada captação representa uma conquista para a saúde pública e para os pacientes que estão na fila de espera. Nos últimos anos, notamos um aumento significativo no número de doações em Sergipe, resultado da capacitação das equipes e da conscientização das famílias. É gratificante fazer parte de um processo que transforma dor em novas oportunidades de vida”, afirmou.
A captação mobilizou uma força-tarefa conjunta entre as equipes do Huse, da OPO, da Central Estadual de Transplantes e profissionais de outros estados, reafirmando a capacidade técnica e a integração dos serviços de saúde, transformando um gesto de amor em novas chances de vida para aqueles que aguardam por um órgão.

