Iniciativa Inovadora para o Nordeste
No dia 13 de abril, o Ministério das Mulheres, em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA), inaugurou a primeira Lavanderia Coletiva e Agroecológica da América Latina, batizada de Nalu Faria. Situada em uma área rural de Mossoró, no Rio Grande do Norte, essa iniciativa visa beneficiar cerca de 80 famílias do Assentamento Mulungunzinho, tornando-se a primeira unidade deste tipo planejada para o Nordeste do Brasil. O evento de lançamento contou com a presença de autoridades como Eutália Barbosa, secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Joana Célia dos Passos, secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, e Fernanda Machiaveli, ministra do Desenvolvimento Agrário.
Eutália Barbosa ressaltou a importância do projeto, afirmando: “Esta é a primeira entrega de uma lavanderia coletiva no meio rural brasileiro. Mais do que um equipamento público, ela materializa uma mudança de lógica que reconhece o trabalho de cuidado como uma responsabilidade coletiva e uma agenda de política pública.” Ela também enfatizou que a ação é um reflexo da Política de Cuidados, destacando que o espaço não é uma obrigação individual das mulheres, mas um esforço conjunto entre sociedade, Estado e famílias.
Foco em Sustentabilidade e Empoderamento
A lavanderia representa um marco no contexto brasileiro, pois combina sustentabilidade, integração com a produção de alimentos e promoção do empoderamento feminino na zona rural. O projeto foi elaborado para fortalecer a convivência comunitária, assegurar o acesso a água, utilizar fontes de energia renovável e fomentar a produção agroecológica familiar, além de estimular a economia solidária no semiárido nordestino. Alinhado à Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024) e ao Plano Nacional de Cuidados (Decreto nº 12.562/2025), o projeto demonstra um compromisso com a inovação social e ambiental.
O investimento total por parte do Ministério das Mulheres foi de R$ 1,5 milhão, repassados ao MDA por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) assinado em 2025. O auxilio financeiro prevê a construção de mais unidades semelhantes, incluindo quatro lavanderias em outros estados: duas no Ceará, uma na Paraíba e uma no Piauí. Cada uma dessas iniciativas também incluirá sistemas de energia solar fotovoltaica, contribuindo para a redução do consumo de energia elétrica e promovendo uma transição para fontes de energia renováveis e limpas.
Um Projeto com Raízes na Luta Feminina
O Projeto Lavanderias Coletivas e Agroecológicas surgiu em resposta às demandas levantadas na Marcha das Margaridas, uma mobilização voltada à promoção da autonomia das mulheres camponesas e de comunidades quilombolas. Ele reúne atividades domésticas coletivas, práticas de convivência com o semiárido, segurança hídrica e geração de energia renovável, com o intuito de favorecer a produção agroecológica familiar e a comercialização solidária, além de incluir unidades pedagógicas que reforçam esse modelo colaborativo.
Durante a cerimônia de inauguração, diversas outras ações foram anunciadas, como os Quintais Produtivos, a instalação de um poço com energia solar e a entrega de 28 Títulos de Terra, contando com a presença do Incra. Também foram assinados contratos referentes ao Selo Biocombustível Social e promovidos projetos voltados para a Juventude, como o Canteiro de Mudas. O evento ainda incluiu visitas a unidades de beneficiamento de polpa e a entrega de documentos reivindicatórios sobre equipamentos voltados para a política de cuidados.
Expansão da Iniciativa para Caruaru (PE)
Outra unidade que segue a mesma proposta é a Lavanderia Pública Dona Maria Eunice Albuquerque, inaugurada em junho de 2025, localizada no Residencial Luiz Bezerra Torres, em Caruaru, Pernambuco. Essa iniciativa, também viabilizada com recursos do Ministério das Mulheres e em parceria com a Prefeitura Municipal, busca aliviar a carga de cuidados que tradicionalmente recai sobre as mulheres. Com capacidade para atender até 200 pessoas diariamente, a lavanderia não apenas fornece os insumos necessários, mas também se dedica a atividades formativas que abordam temas como economia feminista e divisão sexual do trabalho.

