Aliado de Bolsonaro Detido nos EUA
No dia 14 de abril de 2026, um episódio inusitado envolvendo a política de imigração dos Estados Unidos trouxe à tona ironias e contradições no governo de Jair Bolsonaro. Alexandre Ramagem, um destacado aliado do ex-presidente brasileiro, foi preso em Orlando por violar regras de imigração. Sua detenção levanta questões sobre o suporte passado de Bolsonaro à política de deportação de Donald Trump, que resultou na expulsão de brasileiros sem antecedentes criminais.
Em 2025, Bolsonaro manifestou apoio à abordagem rigorosa de Trump, que deportava imigrantes, muitos deles brasileiros, e que, segundo o ex-presidente, agia corretamente. “No lugar dele, eu faria o mesmo”, afirmou Bolsonaro na época, ignorando as consequências humanitárias dessas ações. Ironia do destino, agora é seu aliado que se encontra do lado oposto da lei americana.
Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e condenado por tentativa de golpe, havia fugido do Brasil, mas acabou capturado pelas autoridades de imigração dos EUA. Ele desembarcou no país com visto de turista, mas ignorou o tempo permitido para permanência, o que culminou em sua detenção.
Com um histórico polêmico, Ramagem não é apenas mais um nome entre os apoiadores de Bolsonaro. Já foi deputado e até disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro com o respaldo da família presidencial. No ano anterior, ele foi condenado a 16 anos de prisão por envolvimento em um plano golpista. Para evitar a condenação, Ramagem decidiu deixar o Brasil. Porém, a fuga não foi sem custos: perdeu seu passaporte diplomático e o cargo que ocupava no Legislativo.
Ainda assim, durante seu tempo nos EUA, Ramagem desfrutou de uma vida confortável, morando em uma luxuosa casa avaliada em cerca de R$ 4,5 milhões, situada em uma região tranquila da Flórida. Enquanto isso, suas ações e as consequências dos atos de seus companheiros de golpe se desenrolavam no Brasil, onde vários acabaram presos.
Recentemente, ele fez uma aparição na CPAC, um evento conservador nos EUA, ao lado de Flávio Bolsonaro, que solicitou à Casa Branca que se envolvesse nas eleições brasileiras. Essa situação levanta novas questões sobre a influência de Ramagem e o apoio contínuo que ele recebe de figuras importantes dentro do espectro político ultradireitista.
A prisão de Ramagem não foi isenta de ironias. O ex-chefe da Abin, um especialista em segurança, foi detido com um documento de identidade vencido nos EUA e, mesmo figurando na lista da Interpol, acreditava estar acima das leis locais. Após sua detenção, alguns bolsonaristas tentaram espalhar a narrativa de que ele teria sido preso por uma simples infração de trânsito, buscando transformá-lo em uma vítima política.
Contudo, a realidade é bastante dura. Agentes do ICE, acostumados com as complexidades da imigração, provavelmente não se deixarão enganar por essas tentativas de deslegitimar a detenção. Agora, para evitar a deportação, Ramagem pode precisar de um milagre, como a intercessão de Trump, que, por sua vez, está focado em outros assuntos, como as tensões com o Irã e sua oposição ao Papa.

