Mudança no Ministério do Empreendedorismo é vista como necessária pelo PSB
Na última sexta-feira, 18 de abril de 2026, o presidente do PSB, João Campos, fez um pedido formal ao presidente Lula para a substituição de Tadeu Alencar no Ministério do Empreendedorismo. Este pedido surge após uma série de confusões em torno da nomeação de Alencar, que ocorreu há menos de um mês. O nome de Paulo Pereira, atual segundo secretário da sigla, é o preferido para assumir a pasta, e a mudança é considerada inevitável dentro do partido.
A recente nomeação de Alencar, que foi realizada em um momento conturbado, se deve a uma regra de continuidade estabelecida por Lula. Campos, por sua vez, busca acomodar Alencar em um novo cargo, e para isso, está trabalhando em parceria com o vice-governador Geraldo Alckmin para evitar uma crise interna no PSB.
Após a saída do ex-governador Márcio França, que pretende concorrer ao Senado por São Paulo, a situação se tornou ainda mais complicada. Embora Alencar fosse o secretário-executivo da pasta e tenha recebido apoio inicial para a nomeação, houve um desentendimento sobre quem deveria ser o titular, o que gerou descontentamento dentro do partido.
João Campos apresentou o nome de Paulo Pereira como uma solução, contando com a aprovação de Márcio França, uma vez que Pereira tem experiência e boa relação com as duas alas do PSB, tanto a paulista quanto a pernambucana. Antes de oficializar sua escolha a Lula, Campos buscou a opinião de Alencar sobre a possibilidade de ele continuar na secretaria-executiva, recebendo um retorno positivo nessa conversa.
No entanto, a decisão foi surpreendente para a cúpula do PSB, pois a nomeação de Tadeu Alencar foi anunciada durante o feriado da Sexta-Feira Santa, em 3 de abril. A confusão que resultou desta situação decorre de uma regra previamente estabelecida por Lula, que determinava que, nas pastas sem um novo nome definido, os respectivos secretários-executivos assumiriam a função para garantir a continuidade dos trabalhos.
Com o impasse formado, tanto Campos quanto Alckmin se mobilizaram para evitar que a situação se agravasse. Campos se reuniu com Lula em 10 de abril, em São Paulo, para reafirmar sua posição sobre a indicação de Pereira, enquanto trabalhava ao mesmo tempo para encontrar uma solução que fosse satisfatória para Alencar.
Entre as possíveis soluções discutidas está a possibilidade de Alencar assumir uma vaga na Câmara dos Deputados, uma vez que ele é suplente. Para isso, estaria em andamento um acordo que permitiria ao deputado Felipe Carreras (PSB-PE) se licenciar da função para coordenar a campanha de João Campos ao governo de Pernambuco, enquanto Gonzaga Patriota (PSB-PE) poderia ser convidado para um cargo na cidade de Recife.
O clima no PSB, no entanto, se deteriorou na última sexta-feira, após Alencar demitir, sem aviso, Maurício Juvenal, um aliado próximo a França, da Secretaria Nacional de Ambiente de Negócios. Tadeu Alencar não se manifestou sobre a situação quando foi procurado pela imprensa.
Vale ressaltar que Tomás Alencar, filho de Tadeu, é casado com Eduarda Campos, irmã de João Campos. Apesar dessa relação, o presidente do PSB mantém uma aproximação política mais forte com Paulo Pereira, que, ao longo dos últimos meses, se destacou como um dos principais articuladores do partido. Pereira tem sido fundamental nas negociações que resultaram nas filiações da ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, e do senador Rodrigo Pacheco ao PSB.
Em sua trajetória, Pereira já atuou como secretário nacional do Consumidor no Ministério da Justiça, durante a gestão de Ricardo Lewandowski, além de ter sido secretário-executivo do Conselhão, órgão de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.

