Polo Têxtil em Ascensão
Santa Cruz do Capibaribe, um município pernambucano com 123 mil habitantes, localizado a 185 km do Recife, vive um momento de transformação econômica. Com 41% da sua população atuando no setor de moda e confecções, a cidade alcançou um total de R$ 470 milhões em financiamentos provenientes do Banco do Nordeste (BNB) em 2025. Esse valor representa mais da metade dos R$ 831 milhões captados por todo o setor têxtil do estado no ano. O crescimento em relação aos R$ 16,8 milhões contratados em 2024 é impressionante, chegando a um aumento de 2.700%. “De 2023 para 2024, já houve um aumento de 30%. Agora, o salto foi quase de 1.000%. Essa dinâmica se reflete em novos investimentos e na geração de empregos em toda a cadeia produtiva”, afirmou Hugo Luiz de Queiroz, superintendente do BNB em Pernambuco.
Os recursos destinados a esse crescimento provêm em grande parte do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e foram aplicados em diversas áreas, incluindo confecção de peças, comércio de tecidos, tingimento, estamparia e fabricação de acessórios. Esse aumento significativo de crédito acontece sobre uma base econômica já robusta. Em 2024, as empresas do setor têxtil e de confecções de Santa Cruz do Capibaribe registraram um faturamento de R$ 6,2 bilhões, igualando-se ao volume atingido pelo Porto Digital no mesmo ano, conforme levantamento realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Cruz do Capibaribe.
Crescimento do Polo Tecnológico
Além do destaque no setor têxtil, o polo tecnológico da região avançou para R$ 7,4 bilhões em 2025, o que representa um crescimento de 19%, segundo dados do próprio distrito. Ao considerar também as cidades de Caruaru (R$ 6,0 bilhões) e Toritama (R$ 3,4 bilhões), o Polo de Confecções do Agreste alcançou um faturamento total de R$ 15,6 bilhões em 2024, mais que o dobro do que foi registrado pelo Porto Digital no mesmo período.
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Outro marco significativo ocorreu em janeiro de 2025, quando a indústria e o comércio de tecidos e confecções no estado obtiveram a maior arrecadação de ICMS da história do setor, com um total de R$ 126,6 milhões. Esse valor superou arrecadações de setores como supermercados (R$ 104,4 milhões) e medicamentos (R$ 92,6 milhões). A estrutura produtiva que sustenta esse volume é composta principalmente por pequenos negócios. Dados da Receita Federal revelam que existem 6.413 indústrias de confecção nos três municípios que compõem o polo, das quais 99,3% são classificadas como Microempreendimentos Individuais (MEI), microempresas ou empresas de pequeno porte. O polo têxtil atualmente emprega mais de 32 mil trabalhadores formais em Pernambuco e gerou 2.478 novas vagas entre 2024 e outubro de 2025, segundo informações do Novo Caged.
Inovação e Sustentabilidade na Moda
O crescimento do crédito na região também tem atraído inovações tecnológicas voltadas para a cadeia têxtil. A Entrega+, uma empresa localizada em Santa Cruz do Capibaribe, criou o Modall, uma plataforma de vendas via WhatsApp que utiliza inteligência artificial para automatizar atendimentos, organizar funis comerciais e aumentar a conversão de clientes. Esta solução recebe apoio do Fundo de Investimento em Participações FIP Nordeste Capital Semente, uma linha de capital semente gerida pelo BNB, destinada a negócios em fase inicial com potencial de crescimento. Em 2025, a empresa foi reconhecida pelo Sebrae como uma das 10 startups mais inovadoras do Brasil, sendo a única de Pernambuco e a única do setor de moda a figurar na lista.
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Haim Mesel, gestor do fundo, destaca que muitos dos empreendimentos que estão surgindo na região são liderados por pessoas que cresceram no ambiente têxtil. “São filhos e filhas de quem construiu o polo. Pessoas que entendem o mercado pela vivência”, comenta. Essa agenda de modernização também inclui esforços voltados para a gestão de resíduos. A Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe lançou o programa ReCria Moda Santa Cruz, que se concentra na gestão e reaproveitamento de resíduos têxteis, contando com a implantação de um Centro de Reciclagem de Resíduos Têxteis, estruturado com tecnologias limpas, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto do Meio Ambiente de Pernambuco (IMOA).
Expansão do Crédito e Sustentabilidade do Setor
No plano estadual, os recursos do FNE disponíveis para o setor têxtil incluem a linha FNE Inovação, que financia a implementação de novos produtos, serviços ou processos, além da contratação de consultorias especializadas para monitorar os impactos sociais e ambientais dos projetos. Essa linha de financiamento está diretamente conectada a iniciativas como o ReCria Moda Santa Cruz, que visa a reciclagem de resíduos têxteis. A aceleração do crédito em 2025 indica que a modernização tecnológica, aliada à expansão da base produtiva do polo, deverá manter o setor como um dos principais demandantes do fundo nos próximos ciclos.

