Aumento significativo no atendimento neurodivergente em Pernambuco
Entre agosto e dezembro de 2025, Pernambuco atendeu mais de 3,5 mil pessoas para diagnóstico de neurodivergência. Esses atendimentos ocorreram após a ampliação da rede pública de saúde, que incluiu a formação de equipes multiprofissionais em unidades especializadas. Os dados foram divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) e abrangem consultas realizadas com neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
As Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs) foram as responsáveis por essa expansão, oferecendo os atendimentos desde agosto de 2025. Atualmente, os serviços estão disponíveis em diversas localidades, como Carpina, Caruaru, Escada, Palmares, Recife e Ouricuri. A SES-PE enfatiza que a implantação dessas equipes tem sido fundamental para reorganizar o fluxo de atendimento, eliminando filas de espera para avaliações diagnósticas.
O agendamento para consultas é feito através do sistema de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), priorizando encaminhamentos da Atenção Primária à Saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Essa estratégia visa facilitar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento para condições que afetam a neurodiversidade, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Estrutura de cuidados para neurodiversidade
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A rede de atendimento a pessoas com condições de neurodivergência faz parte da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, criada pelo Ministério da Saúde. Dentro dessa estrutura, os Centros Especializados em Reabilitação (CER) oferecem serviços voltados ao diagnóstico, acompanhamento e reabilitação, contando com uma abordagem multiprofissional.
Em Pernambuco, os CERs atuam em diferentes modalidades, oferecendo reabilitação física, intelectual, auditiva e visual. Além das UPAEs e CERs, a Atenção Primária e ambulatórios especializados municipais também desempenham um papel fundamental no acompanhamento desses pacientes. Casos mais complexos são encaminhados para serviços de média e alta complexidade, conforme a necessidade clínica.
Crescimento no Ambulatório Neurodivergente do HSE
No primeiro trimestre de 2025, o Ambulatório Neurodivergente do Hospital dos Servidores do Estado (HSE) registrou um crescimento de 23,45% no número de atendimentos. Foram atendidos 13.252 pacientes, distribuídos entre 4.085 em janeiro, 4.124 em fevereiro e 5.043 em março. O ambulatório é voltado para crianças com condições como TEA, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e problemas de ansiedade, integrando o Centro de Reabilitação Funcional e Cognitiva (CRFC).
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Esse serviço conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos, neuropsicólogos, pedagogo, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, além de oferecer terapia assistida por cães. Camila Matias, superintendente do CRFC, ressalta a importância do atendimento integrado, que considera tanto as necessidades dos pacientes quanto o suporte às suas famílias. “O nosso ambulatório surgiu não só como um espaço essencial, mas como um espaço integral”, comentou Camila.
Enfrentando o preconceito e promovendo a inclusão
Camila também destaca que o preconceito em relação à neurodivergência muitas vezes se origina da falta de informação. “O preconceito ainda está muito ligado à falta de conhecimento, e isso é o que mais prejudica”, afirmou. Para ela, o acolhimento e o envolvimento da família são essenciais no processo de atendimento.
Monitoramento de filas e investimentos na saúde
A SES-PE informou que há um esforço contínuo para regular e monitorar as vagas em serviços especializados, como no Centro Especializado em Reabilitação IV da Fundação Altino Ventura, que disponibiliza 200 vagas. Contudo, não há um controle consolidado sobre filas em outros CERs, pois o acesso a esses serviços é feito pela regulação municipal.
O tempo de espera para consultas e terapias varia conforme a especialidade e a organização regional, com critérios que levam em conta a gravidade dos casos. Com a ampliação da rede de atendimento, que faz parte do programa Pernambuco Acessível, lançado em 2025, o estado prevê um investimento superior a R$ 400 milhões em estratégias que promovem o diagnóstico precoce e suporte a famílias e cuidadores.
Entre os serviços disponíveis, destacam-se avaliações e diagnósticos multiprofissionais, acompanhamento contínuo na Atenção Primária e reabilitações em CERs. O estado também está implementando novas tecnologias, como telessaúde, e promovendo a integração entre as equipes da Atenção Primária, CAPS, CERs e UPAEs. Além disso, há planos para a criação de novos Centros Especializados em Reabilitação em cidades como Petrolina, Serra Talhada e Caruaru, o que ampliará o acesso aos serviços fora da Região Metropolitana do Recife.

