Aquecimento Global Atinge Níveis Alarmantes
Em 2025, o planeta registrou um aquecimento global de 1,39°C em relação ao período pré-industrial (1850-1900), sendo que 1,37°C desse aumento é atribuído às atividades humanas. Esse dado, divulgado por pesquisadores em estudo recente publicado na revista Earth System Science Data, revela que o ritmo do aquecimento causado pelo ser humano permanece no patamar mais alto já registrado, crescendo a uma taxa de 0,27°C por década.
Impactos e Alterações no Equilíbrio Energético da Terra
Segundo Piers Forster, professor de Climatologia Física da Universidade de Leeds e coordenador do relatório, o desequilíbrio energético do planeta — diferença entre a energia solar recebida e a devolvida ao espaço — dobrou nas últimas décadas. Sem a influência humana, esse valor deveria estar próximo de zero, mas desde os anos 1970 tem apresentado uma elevação constante, atingindo níveis recordes que intensificam o aquecimento global.
Fatores que Aceleram o Aquecimento e Consequências Visíveis
A aceleração do aumento das temperaturas se explica principalmente pela combinação de dois fatores: a emissão recorde de gases do efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, e a redução da poluição por aerossóis, que antes ajudavam a refletir parte da radiação solar e, assim, tinham efeito de resfriamento temporário.
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Embora existam sinais de desaceleração no crescimento das emissões de CO₂, isso não será suficiente para limitar o aquecimento a 1,5°C, meta estabelecida no Acordo de Paris em 2015. Os cientistas indicam que, sem uma redução significativa das emissões, esse limite será ultrapassado por volta de 2030, agravando os impactos climáticos.
Consequências para Oceanos, Calor Extremo e Monitoramento Climático
O relatório também destaca que o nível do mar subiu 23 centímetros entre 1901 e 2025, com uma taxa atual de aumento de 3,84 mm por ano — o dobro do ritmo anterior. Além disso, o número anual de dias com ondas de calor marinhas mais que triplicou desde 1991, alcançando 65 dias em 2025, evidenciando o impacto direto do aquecimento nos ecossistemas marinhos.
Esses dados são compilados graças a quase 40 conjuntos de informações coletadas por satélites e uma ampla rede de instrumentos terrestres, marítimos e aéreos, incluindo estações meteorológicas, navios, boias e balões-sonda. No entanto, especialistas alertam que o financiamento para esses sistemas essenciais está ameaçado, principalmente nos Estados Unidos.
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Ameaças ao Monitoramento e Financiamento de Programas Climáticos
Valérie Masson-Delmotte, paleoclimatóloga francesa e ex-copresidente do IPCC, ressalta que os sistemas de observação estão fragilizados por decisões geopolíticas e cortes no financiamento público. O relatório aponta que o orçamento da Organização Meteorológica Mundial (OMM) diminuiu, o Programa Mundial de Pesquisa do Clima (PMIC) teve sua verba reduzida pela metade e o Sistema Mundial de Observação do Clima enfrenta riscos significativos.
Peter Thorne, professor de Geografia Física na Universidade de Maynooth e membro do IPCC, enfatiza que esses indicadores são vitais para acompanhar os sinais do planeta, comparando-os aos sinais vitais de um paciente com sintomas preocupantes. A continuidade e o fortalecimento dessas observações são fundamentais para a formulação de políticas públicas eficazes e para a implementação de estratégias que minimizem os efeitos do aquecimento global.

