Reconhecimento na Assembleia Legislativa
O Pajeú Pernambucano, região rica em história e tradições que atravessam mais de três séculos, foi homenageado na Assembleia Legislativa de Pernambuco com votos de aplauso que destacam seu valor cultural para o Estado. A sessão ocorreu na última reunião antes do recesso, em junho de 2026, e celebrou artesãos, músicos e coletivos que são pilares da cultura local.
A importância do voto de aplauso
O voto de aplauso é uma manifestação oficial de reconhecimento público concedida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco para celebrar pessoas, grupos ou eventos que prestaram serviços relevantes à sociedade pernambucana. Proposto pela deputada Dani Portela (PT), o voto foi articulado pelo jornalista e produtor cultural Leonardo Lemos, de Afogados da Ingazeira, que vem mapeando a cultura do Pajeú há dois anos.
Leonardo destaca que essa homenagem valoriza nomes essenciais da cultura local, como a família Teles, de Calumbi (PE), e Dona Edenairan, de Triunfo (PE), cuja arte ultrapassa fronteiras e ganha prestígio fora de Pernambuco. A família Teles, por exemplo, foi responsável pelos acessórios em couro da novela “Filhos do Sol” exibida em 2026.
Artistas que traduzem a identidade cultural do Pajeú
Além do artesanato, a lista de homenageados inclui representantes de povos tradicionais, grupos de pífano, cocos de roda e filarmônicas, que preservam e difundem a memória cultural da região. Leonardo reforça que esses artistas representam uma resistência cultural, mantendo vivas práticas que contribuem para a riqueza e originalidade do sertão pernambucano.
A seguir, os 14 artistas e grupos reconhecidos, com suas respectivas localidades:
- “Ilê Asé Oju Ty Olorum” e Pai Gonzaga, de Calumbi (PE), terreiro de Candomblé e Jurema com mais de 30 anos;
- “Pífano Travessão do Caroá” e Mestre Dezinho, de Carnaíba (PE), grupo quilombola centenário que circula em romarias e festas religiosas;
- Seu Sebastião Gonçalo, do quilombo Abelhas em Carnaíba (PE), referência no Coco de Roda dos Sertões;
- “Samba de Coco Cachoeira da Onça” e Mestra Joana, de Custódia (PE), guardiões do Coco de Roda nos quilombos de Quitimbu;
- “Coco Negras e Negros do Leitão”, de Afogados da Ingazeira (PE), Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2023;
- Mestre Seu Neném (Eufrázio), destacado artesão em couro de Serra Talhada (PE);
- Mestre Chico Santeiro, Patrimônio Vivo e ícone do artesanato em madeira e arte religiosa de Triunfo (PE);
- Historiadora Diana Rodrigues Lopes, de Triunfo (PE);
- Família Teles (Seu Pedro, Luiz e Louro Teles), referência em couro, de Calumbi (PE);
- Banda de Pífanos Santo Antônio de Carnaíba e Mestre Antônio Pedro, com 124 anos de história em Carnaíba (PE);
- “Samba de Coco Águas Claras”, grupo tradicional de Triunfo (PE);
- Banda Isaías Lima, centenário grupo musical de Triunfo (PE);
- Filarmônica Santo Antônio, centenária formação musical de Carnaíba (PE);
- Mestra Edenairan Lima, artesã e agricultora de Triunfo (PE), reconhecida pela diversidade de seu artesanato.
Ampliação da homenagem e circulação cultural
Os votos de aplauso foram convertidos em diplomas enviados aos homenageados durante julho, facilitando a comprovação artística para premiações como o PNAB ou o título de Patrimônio Vivo. Além disso, a deputada Dani Portela organizará encontros para diálogo e entrega simbólica de placas comemorativas.
Esses eventos acontecerão nos dias 7 e 8 de agosto, respectivamente no Quilombo Leitão da Carapuça, em Afogados da Ingazeira, e no Museu do Cangaço, em Serra Talhada, ambos com entrada gratuita, ampliando o acesso e o reconhecimento do público à cultura local.
Também foram incluídos na homenagem outros artistas e coletivos da região, como o Coletivo Cabras de Lampião (dança e teatro), Mestra Ivanilde Nogueira (artesanato), Grupo de Artesanato de Serra Talhada (GAST), Coletivo Fridas Brechó (artes integradas), Coletivo Xerém Cultural (artes integradas e formação), Batucada Feminista do Sertão do Pajeú (música) e mestre José Gonçalo da Silva (coco de roda), reforçando a diversidade cultural do Pajeú.
Essa iniciativa reforça a importância da valorização dos saberes tradicionais e da circulação artística, contribuindo para que o público possa se conectar com a cultura do Pajeú de maneira mais profunda e acessível.

