Ciclone-bomba no Sul do Brasil: um alerta para os próximos meses
O Rio Grande do Sul enfrentou rajadas de vento que chegaram a 100 quilômetros por hora devido a um ciclone-bomba, fenômeno atmosférico que pode se tornar mais comum nos próximos meses. A meteorologista Estael Sias, sócia-diretora da MetSul, destaca que a combinação das características naturais da região, o fenômeno do El Niño e as mudanças climáticas cria um cenário propício para eventos extremos no Sul do Brasil.
El Niño e a intensificação dos eventos climáticos
Segundo Estael, o El Niño já apresenta uma forte intensidade e deve se fortalecer até o fim do ano, aumentando a frequência de chuvas intensas e tempestades na região. A meteorologista prevê que tempestades, tornados, microexplosões e ciclones ganharão destaque, ressaltando que esses fenômenos fazem parte da climatologia local, mas que a influência do El Niño e das mudanças climáticas pode potencializar a ocorrência dessas situações de risco.
O papel das mudanças climáticas na formação dos ciclones
Estudos indicam que o aquecimento global pode favorecer ciclones mais intensos, especialmente devido às ondas de calor marinhas, que elevam a temperatura das águas, e períodos prolongados de calor. Para Estael, essas condições funcionam como combustível para sistemas ciclônicos mais potentes, que impactam diretamente regiões como o Sul do Brasil. Os dados recentes já mostram essa tendência, aumentando o risco de temporais, enchentes e outros eventos extremos na área.
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Fonte: diariofloripa.com.br
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Fonte: bh24.com.br
Por que o Sul do Brasil é uma região vulnerável?
A faixa de latitudes médias, que inclui o Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, é uma zona de transição climática com grande contraste térmico, onde os ciclones se formam com frequência. Quando esses sistemas se aproximam do continente, interferem nas condições atmosféricas locais e ganham destaque nos boletins meteorológicos. O ciclone-bomba destaca-se pela rápida intensificação e pela queda brusca da pressão atmosférica em até 24 horas. No caso recente, o ciclone se formou a sudeste do Rio Grande do Sul e apresentou pressão central excepcionalmente baixa para o Atlântico Sul.
O pior já passou? Entenda os impactos recentes
Estael afirma que o período crítico ocorreu entre quinta e sexta-feira, quando o ciclone causou danos, fortes rajadas de vento e um tornado no sul do estado. Ela destaca que o episódio poderia ter sido ainda mais severo caso o sistema tivesse permanecido mais tempo próximo ao continente. Como comparação, cita o ciclone de julho de 2020, que atravessou os três estados do Sul e resultou em 13 mortes. No episódio atual, o rápido deslocamento do ciclone para o alto-mar reduziu o tempo de maior risco no continente.
Previsões para os próximos dias e efeitos esperados
O ciclone avançou em direção ao alto-mar e não deve se aproximar diretamente de São Paulo ou Rio de Janeiro. Nessas regiões, os efeitos serão indiretos, principalmente pela aceleração da passagem de uma frente fria e pela interação da instabilidade com o ar quente no centro do país. Ainda há previsão de chuva para o setor leste de São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto o interior deverá ser menos afetado. Também há alerta para mar agitado e ressaca nos litorais do Sul e Sudeste, causados pelo deslocamento do ciclone intenso sobre o oceano.
Capacidade de previsão dos ciclones e limitações atuais
Os ciclones, por serem sistemas de grande escala, podem ser previstos com boa antecedência. No caso recente, os modelos meteorológicos identificaram a formação do ciclone cerca de sete dias antes, embora a possibilidade de ele se tornar um ciclone-bomba ainda fosse incerta. Com a aproximação do sistema, as previsões indicaram intensificação explosiva e localização precisa. Cerca de 72 horas antes, modelos de maior resolução identificaram a linha de temporais que atravessou Uruguai e Rio Grande do Sul, chegando mais enfraquecida a Santa Catarina. Contudo, tempestades muito localizadas e rápidas ainda apresentam desafios para a previsão detalhada, enquanto ciclones de grande escala têm uma previsibilidade considerada muito boa atualmente.

