A mistura cultural que define a Academia da Berlinda
Formada há 22 anos em Olinda, a Academia da Berlinda se consolidou como um dos grupos que melhor traduzem a diversidade musical de Pernambuco. Em seu quinto álbum de estúdio, “Nave Luz”, lançado na última quinta-feira (17), o grupo mergulha ainda mais fundo na riqueza da cultura popular nordestina para fortalecer sua sonoridade que une o gingado caribenho e os ritmos regionais.
Desde o início, o disco deixa clara essa conexão com as tradições locais. A abertura com a loa de maracatu do Mestre Anderson Miguel, em “Ciência”, evoca a força da água, símbolo vital que alimenta a criação artística da região. Para o vocalista Tiné, essa escolha representa a própria alma do disco. “Como a gente é de Pernambuco, temos uma vivência muito forte com a cultura popular. Quando a gente voltou para cá, queríamos um disco que nos representasse bem”, explica.
Gravações em Olinda e resgate das raízes nordestinas
Após um intervalo em estúdio carioca, a Academia da Berlinda optou por registrar “Nave Luz” em Olinda, o que trouxe um frescor e uma proximidade maior com suas raízes. Essa decisão inspirou o resgate de ritmos característicos do Nordeste. A faixa-título incorpora compassos de xote, “O Que Depois” traz influências do frevo, e “Proposta” apresenta uma cadência de galope. Essas nuances se juntam à assinatura da banda, que também envolve ritmos latinos e africanos de dança de salão.
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Tiné destaca que a banda sempre buscou fugir da mesmice, mesmo em um cenário onde a música caribenha, como a de Bad Bunny, ganha cada vez mais espaço. “Mesmo quando nossas cúmbias tinham maior destaque, a mistura sempre foi parte do nosso DNA. No nosso primeiro disco, por exemplo, já trazíamos a ‘Ciranda Enrustida’, que mescla salsa com ciranda”, recorda o vocalista.
Elementos novos e convidados especiais
A influência da disco music também aparece em “Jandaias”, single lançado em janeiro que aponta para uma direção diferente das tendências atuais, como a música produzida por inteligência artificial. “Seguimos sendo uma banda muito orgânica, bebendo da tradição da cultura popular, muito percussiva e com instrumentos de sopro”, ressalta Tiné.
O disco ainda celebra a diversidade com participações especiais. “Já Vi Fogo” conta com o recifense IVYSON, que reconhece o legado da música pernambucana, enquanto a italiana radicada no Chile, Margherita Lavosi, acrescenta versos em espanhol à faixa “Paz no Olhar”, ressaltando a latinidade dessa balada dançante.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Com “Nave Luz”, a Academia da Berlinda reafirma sua trajetória, valorizando o patrimônio cultural local e ampliando a circulação de sua música para públicos que buscam autenticidade e conexão com as raízes nordestinas.

