Manifestação e Reação da Prefeitura
O anúncio da Prefeitura de Caruaru de estender o prazo para pagamento dos cachês dos artistas do São João para até 90 dias após o término da festa provocou reação imediata da classe artística. Originalmente, os pagamentos eram realizados em até 60 dias, prazo que já gerava insatisfação entre os artistas. A ampliação para 90 dias foi divulgada nos editais de seleção para a edição de 2027, publicados no dia 29 de outubro. A resposta não tardou: artistas e produtores culturais organizaram um protesto na Câmara de Vereadores no dia 3 de novembro, reivindicando a revisão dessa regra e outras melhorias no processo.
Contexto e Controvérsias dos Editais
Os editais tiveram um período de impugnação extremamente curto, apenas três dias, que coincidiram com feriados prolongados, dificultando o acesso dos interessados para contestar as novas condições. Além do prazo de pagamento estendido, os artistas destacam a ausência de diálogo prévio da Prefeitura com a categoria para definir as regras. A mobilização gerou um recuo parcial da administração municipal, que anunciou o retorno ao prazo anterior de até 60 dias para o pagamento dos cachês, garantindo que as inscrições para a edição de 2027, inicialmente abertas em 31 de outubro, serão reabertas entre 11 de novembro e 11 de dezembro pelo aplicativo Minha Caruaru.
Demandas e Reivindicações da Classe Artística
Apesar do recuo, os artistas consideram que a questão vai muito além do prazo para recebimento. Em carta aberta, eles listaram cinco demandas essenciais: revogação imediata dos editais atuais, realização de audiência pública com a classe artística, reajuste nos valores dos cachês, pagamento à vista logo após as apresentações e total transparência sobre as receitas e despesas do São João. Essas demandas também constam em requerimentos protocolados na Câmara pelos vereadores Edilson do MST (PT) e Gil Bobinho (PSB), que acompanham de perto a luta dos artistas.
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O cordelista Evaldo Araújo, um dos articuladores do movimento, ressalta que a Prefeitura não dialogou com a sociedade antes de publicar as regras. Para ele, a mobilização continua firme até que haja revogação dos editais e abertura para negociação ampla. Outro ponto sensível levantado é a falta de transparência nas contas do evento, apesar da existência de uma lei municipal que obriga a divulgação mensal das receitas e despesas, especialmente referentes aos patrocínios.
Polêmica no Conselho Municipal de Política Cultural
A extensão do prazo para 90 dias foi aprovada no Conselho Municipal de Política Cultural, mas com forte resistência da sociedade civil. Conforme denúncia do movimento Levante ProArte, a votação ocorrida em 10 de agosto contou com 13 votos favoráveis do governo e nove contrários da categoria artística. A proposta inicial dos artistas previa prazos escalonados conforme o valor do cachê, com pagamentos mais rápidos para valores menores, mas essa sugestão não foi incorporada nos editais publicados.
O músico e produtor cultural Carlos Cacaio destaca que a sociedade civil está em minoria no Conselho, o que dificulta a defesa dos interesses dos artistas. Ele também critica a disparidade no pagamento entre grandes bandas nacionais, que recebem à vista, e artistas locais da cultura popular, que enfrentam atrasos e falta de garantias. O artista Valdemar Neto reforça que a responsabilidade pela aprovação do prazo estendido é da gestão municipal e alerta para o risco dessa prática se espalhar para outras cidades que seguem o modelo de Caruaru.
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Casos de Atrasos e Falta de Reconhecimento
Além dos editais, o atraso nos pagamentos afeta artistas contratados diretamente pela Fundação de Cultura. Xanddy do Trio Mandacaru relata que aguarda há cinco meses o pagamento de uma apresentação realizada em Caruaru. Ele denuncia ainda a desconfiança da Fundação quanto à realização dos eventos, que exige vídeos e provas para liberar os pagamentos, o que revela uma falta de reconhecimento e respeito pelo trabalho dos artistas locais.
Essa situação evidencia uma contradição: enquanto grandes atrações nacionais recebem seus cachês imediatamente, os artistas que sustentam a cultura popular enfrentam longas esperas e burocracia. A reivindicação é clara: receber na hora, com valorização justa e respeito ao trabalho realizado.

