Reconhecimento histórico para o Maracatu Rural
Na mesma semana em que Pernambuco homenageia o Dia Estadual do Maracatu, nazaré da mata recebeu uma notícia que reforça a importância de sua cultura popular. Mestre João Paulo, referência do Maracatu Leão Misterioso e apelidado de “Papa do Maracatu”, foi oficialmente declarado patrimônio vivo de pernambuco na última quinta-feira (6).
João Manuel dos Santos está entre os dez novos Patrimônios Vivos selecionados pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC). A edição de 2026 do concurso recebeu 205 inscrições, o maior número desde a criação da iniciativa em 2002, o que representa mais de 20 candidaturas por vaga.
Primeiro mestre de Maracatu Rural reconhecido como Patrimônio Vivo
Este reconhecimento marca um momento histórico: João Paulo é o primeiro mestre de Maracatu Rural, na categoria pessoa física, a conquistar o título de Patrimônio Vivo em Pernambuco. Durante sua trajetória, ele sempre defendeu a valorização dos mestres do baque solto, manifestando preocupação com a falta de reconhecimento para importantes nomes da tradição.
Para Nazaré da Mata, a conquista reforça a relevância do município na cultura pernambucana. Agora, a cidade soma quatro Patrimônios Vivos: a Banda Capa Bode, a Banda Revoltosa, o Maracatu Cambinda Brasileira e Mestre João Paulo.
Prefeitura celebra o reconhecimento na semana dedicada ao maracatu
A prefeita Aninha da Ferbom destacou a simbologia da notícia no contexto da celebração do Dia Estadual do Maracatu. “Celebramos uma vida dedicada à cultura e o papel fundamental que Nazaré da Mata desempenha no Maracatu Rural. Estamos muito felizes e orgulhosos”, afirmou.
Trajetória dedicada à cultura popular
Conhecido como “Papa do Maracatu”, João Paulo dedica mais de 40 anos ao Maracatu Rural. Nascido no Engenho Água Branca, em Vicência, estabeleceu uma forte ligação com Nazaré da Mata, onde se consolidou como poeta, mestre e formador de novas gerações.
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Antes de assumir o papel de mestre, ele já se destacava na poesia durante o corte da cana, participando de disputas de versos. Sua jornada na cultura popular começou no Boi Coração, em Lagoa do Ramos. Depois, integrou o Maracatu Leão Formoso, onde passou de contramestre a mestre e conquistou dois títulos.
Posteriormente, fundou o Maracatu Leão Misterioso, que se tornou o espaço para a consolidação de sua trajetória e a formação de novos brincantes e mestres. O nome da agremiação faz referência ao mistério em torno de sua saída do Leão Formoso e o caminho que escolheria seguir.
Transmissão de saberes e formação de mestres
Ao longo dos anos, João Paulo transmitiu muito mais que a técnica de mestrar. Compartilhou versos, rimas, improvisos, ensinou instrumentos e mostrou como confeccionar golas, chapéus e guiadas, elementos essenciais do Maracatu Rural. Entre seus alunos estão mestres como Barachinha e Zé Joaquim.
Para a secretária de Cultura e Turismo de Nazaré da Mata, Edlamar Lopes, esse legado explica o reconhecimento. “Ele é um guardião de saberes que passam de geração em geração, ensinando pela palavra, convivência e prática. Reconhecê-lo é valorizar toda essa escola de cultura popular que ele construiu”, destacou.
Alcance que supera fronteiras
O trabalho de João Paulo ultrapassou o Agreste e a Mata Norte, com oficinas realizadas em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, além de atividades em escolas locais. Seu memorial indica que mais de dez mestres iniciaram suas trajetórias sob sua orientação.
O mestre é também conhecido pelo gracejo, uma forma de poesia marcada pelo humor e improvisação, que transforma histórias em versos. O apelido “Papa do Maracatu” foi dado por João Melo, reconhecendo sua influência na cultura popular.
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Política de reconhecimento e benefícios do título
O Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco, criado pela Lei Estadual nº 12.196 em 2002, é uma política pública que valoriza pessoas e grupos detentores de saberes da cultura tradicional. É conduzido pelo Governo de Pernambuco, pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
Para concorrer, era necessário residir no estado por pelo menos 20 anos e atuar na cultura tradicional ou popular durante esse período, além de ter capacidade de transmitir conhecimento às novas gerações.
Processo seletivo rigoroso
O 21º Concurso Público de Registro do Patrimônio Vivo passou por cinco fases: inscrição, análise documental, avaliação de mérito cultural, recursos, apreciação pelo CEPPC e divulgação dos resultados. A seleção considerou critérios como relevância cultural, idade ou antiguidade, situação social e risco de desaparecimento dos saberes tradicionais.
Compromissos e continuidade do legado
Além do título, Mestre João Paulo receberá uma bolsa mensal de R$ 2.479,41, com reajuste anual. O benefício tem início no segundo mês após a publicação oficial do reconhecimento.
Os Patrimônios Vivos devem participar de programas de ensino promovidos pela Secult-PE e Fundarpe, compartilhando seus conhecimentos com estudantes e aprendizes. Para João Paulo, essa missão já é parte da sua história, tendo formado mais de 200 pessoas. Ele descreve o Maracatu Leão Misterioso como uma “escolinha” onde crianças e jovens aprendem e permanecem ligados à cultura popular.
Com os novos Patrimônios, Pernambuco agora conta com 125 reconhecidos. A cerimônia oficial de entrega dos títulos está marcada para 17 de agosto, durante a abertura da 19ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural de Pernambuco.

