Novos Patrimônios Vivos de Pernambuco: Cultura e Preservação
Na última segunda-feira (17), o Governo de Pernambuco anunciou a inclusão de dez novos Patrimônios Vivos do Estado, reforçando o compromisso com a valorização das manifestações culturais locais. Os escolhidos passam a receber uma bolsa vitalícia, com valores diferenciados para grupos e indivíduos, além de participarem de ações voltadas à formação e difusão da cultura popular pernambucana. Para os grupos, a bolsa mensal é de R$ 4.958,85, enquanto mestres e mestras recebem R$ 2.479,41.
O reconhecimento contempla uma diversidade de expressões culturais, do canto ao batuque, artesanato e liderança religiosa, destacando trajetórias que preservam saberes tradicionais. Com um recorde de 205 inscrições, o processo diplomou mestres e grupos que atuam em manifestações como coco, candomblé, samba, maracatu, capoeira e artesanato. Atualmente, Pernambuco contabiliza 125 Patrimônios Vivos ligados a diferentes expressões culturais do estado.
O Reconhecimento do Trabalho Comunitário e a Transmissão de Saberes
A secretária de Cultura de Pernambuco em exercício, Ana Paula Jardim, ressaltou a importância desses mestres e grupos na continuidade das tradições culturais. “São mestres, mestras, famílias, grupos e comunidades que aprenderam com quem veio antes e assumiram a missão de ensinar a quem vem depois”, afirmou.
Representando o Barracão de Mãe Nadja, terreno de Candomblé localizado no Ibura, Mametu Nadja destacou o caráter comunitário do trabalho. “Trabalhamos muito há anos, atuamos muitas vezes como psicólogos, parteiras, médicos, de tudo um pouco, para a nossa comunidade. Peço que esse prêmio seja entendido como algo dado a todos os terreiros”, declarou, reforçando a dimensão social e espiritual da preservação cultural.
Processo de Escolha e Premiação Complementar
A escolha dos Patrimônios Vivos passa por etapas rigorosas, que incluem defesa oral, documentação e comprovação da atuação na transmissão de saberes. A eleição é feita pelos membros do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).
Na mesma cerimônia, foram entregues os prêmios do 11º Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho, que reconhece iniciativas de preservação e transmissão do patrimônio cultural pernambucano. Foram distribuídos R$ 90 mil entre seis projetos, divididos em categorias como Formação, Promoção e Difusão, e Acervos Documentais e Memória Cultural.
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Conheça os Novos Patrimônios Vivos
Teco de Agamenon
Brincante e artesão, Teco atua desde 1965 na tradição dos Caretas de Triunfo, produzindo máscaras, chapéus e vestimentas. Ele transmite seu conhecimento para jovens e participa de eventos em outros estados, como o Ceará.
Família Vitalino
Descendentes do Mestre Vitalino, atuam há mais de 60 anos no Alto do Moura, em Caruaru. Mantêm a “Escola Vitalina”, preservando técnicas da arte figurativa em argila, desde a extração do barro até a queima das peças que retratam o cotidiano agrestino.
Mestre Zé Negão
Com ascendência negra e indígena, iniciou sua trajetória cultural aos 13 anos com folguedos e samba. É guardião do Coco de Senzala, uma manifestação afro-indígena, e atua em projeto social que envolve moradia, saúde e cultura em sua comunidade.
Juliana Pankararu
Mulher indígena do Território Aldeia Saco dos Barros, em Jatobá, preserva práticas da medicina tradicional indígena, usando plantas locais para chás e banhos, transmitindo saberes ancestrais aprendidos na oralidade familiar.
Mestra Di
Nascida em Olinda, é mestra de Capoeira Angola reconhecida internacionalmente. Foi a primeira mulher brasileira a ensinar essa arte na Europa e hoje desenvolve projetos voltados para mulheres capoeiristas.
Maracatu Cruzeiro do Forte
Fundado em 1929 no Recife, é referência histórica do maracatu de baque solto. Além das apresentações, realiza formação sociocultural para artesãos da comunidade, incentivando a capacitação para o mercado de trabalho.
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G.R.E.S Preto Velho
Escola de Samba fundada em 1974 em Olinda, é a única em atividade contínua no município. Atua na preservação do samba e das tradições afro-brasileiras, oferecendo atividades de percussão e gestão cultural.
Barracão de Mãe Nadja
Centro sagrado de Candomblé Angola fundado em 1996 no Ibura, funciona como espaço de fé, resistência e formação comunitária, transmitindo conhecimentos por meio da oralidade e práticas coletivas.
Mestre João Paulo
Radicado na Mata Norte, dedica-se há mais de 40 anos ao Maracatu Rural. Fundador do Maracatu Leão Misterioso, conhecido como “Papa do Maracatu”, transmite saberes de forma oral e prática para novos brincantes.
Terreiro de Mãe Amara
Com mais de 80 anos no Recife, é um dos mais antigos terreiros na preservação da tradição nagô, atuando na salvaguarda e difusão da cultura afro-brasileira em Pernambuco.
Essa nomeação reforça a diversidade e a riqueza das manifestações culturais pernambucanas, assegurando o reconhecimento e a continuidade de práticas que moldam a identidade do estado. O público poderá acompanhar as próximas ações e projetos que esses mestres e grupos desenvolverão para manter vivas essas tradições.

