Propostas culturais ganham destaque nas eleições de Pernambuco
Os principais candidatos ao Governo do Estado de Pernambuco apresentam programas que reservam atenção especial ao setor cultural, um dos mais relevantes para a diversidade e identidade regional. A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra, seu principal adversário, João Campos, e o terceiro colocado nas pesquisas, Ivan Moraes, do PSOL, oferecem projetos mais estruturados. Já outros candidatos apresentam propostas mais genéricas, evidenciando a tradicional desatenção com uma área crucial para Pernambuco.
Compromisso com a cultura popular e economia criativa
Nos documentos apresentados, destaca-se o interesse comum dos candidatos em garantir políticas culturais permanentes, com editais e incentivos que alcancem produtores culturais em todo o estado. A valorização da economia criativa aparece como um eixo fundamental para impulsionar o desenvolvimento econômico e a geração de empregos no setor.
Ivan Moraes, por exemplo, propõe a criação do Programa Cultura Todo Dia, que visa oferecer apoio contínuo a agremiações e manifestações culturais populares, com recursos mensais para sua manutenção. Ele também defende a implantação das Casas das Culturas Populares em diversas regiões, promovendo atividades de formação, apresentações e preservação cultural. Além disso, o candidato do PSOL aposta no fortalecimento da economia criativa, especialmente no interior, e na criação da Empresa Pernambucana de Cinema.
Avanços e desafios na gestão de Raquel Lyra
Raquel Lyra destaca em seu programa a criação do Fundo Estadual de Cultura de Pernambuco (FEC-PE), que atua na descentralização dos recursos, e a consolidação de eventos como o festival Pernambuco Meu País. Também menciona progressos na Lei Paulo Gustavo e na implementação da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), embora esta última tenha enfrentado críticas recentes, conforme reportagens da Revista O Grito!.
Seu plano prevê ainda o fortalecimento da economia criativa por meio do Programa de Fortalecimento da Economia Criativa de Pernambuco (PE Criativo) e ações como o Armazém 11 – Mercado Criativo de Pernambuco. A digitalização do artesanato local e a promoção de museus e rotas culturais via Programa Patrimônio Pernambuco Digital são outras frentes de atuação. A preservação do patrimônio histórico também está entre as metas, com projetos para restaurar prédios históricos e transformá-los em espaços culturais.
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João Campos e a integração da cultura com a educação
João Campos propõe fortalecer a economia criativa e superar a política cultural baseada apenas em eventos, investindo em estruturas e movimentos culturais ao longo do ano. Entre suas iniciativas, destaca a conexão da cultura com a educação pública, a criação de créditos criativos, intercâmbios culturais e a modernização dos espaços culturais.
O candidato do PSB também planeja fortalecer a Fundarpe e o Observatório da cultura pernambucana. Uma de suas propostas é a criação de uma plataforma pública e gratuita de streaming dedicada à difusão da produção cultural pernambucana e dos Jogos Escolares da Cultura, com foco na identificação e valorização de novos talentos.
Outras visões e propostas para a cultura em Pernambuco
Renan Hallais, do Missão, vê a cultura, o turismo e o esporte como áreas estratégicas para gerar emprego, renda e fortalecer a identidade estadual. Propõe reformar o Funcultura, reduzir a burocracia para acesso a incentivos públicos e atrair investimentos privados. Também defende o fortalecimento institucional da Fundarpe e a criação de um marco legal para coibir a promoção de artistas e eventos que glorificam a criminalidade.
O PCO, representado por Victor Assis, defende a liberdade plena de expressão, a revogação da Lei Felca, o fim dos monopólios e a estatização das grandes empresas de comunicação, sob controle dos trabalhadores. Suas propostas culturais são voltadas a questões ideológicas, com foco no acesso público à cultura e ao esporte, e no controle dos instrumentos culturais por organizações populares.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Guilherme Fonseca, do PSTU, prioriza o fim da publicidade de apostas em espaços culturais e propõe a construção de equipamentos culturais, pagamento de cachês para artistas e promoção de concursos públicos para a contratação de profissionais da cultura.
Jeremias do Banco, do Democratas, destaca o fortalecimento dos artistas locais e o desenvolvimento do Programa Pindorama, voltado para cultura e identidade regional, além do incentivo ao turismo cultural.
Por fim, a candidata Professora Camila, da Unidade Popular, não apresenta propostas para a cultura em seu programa.
O voto e o futuro da cultura pernambucana
Com propostas que variam do detalhamento à superficialidade, os programas culturais dos candidatos refletem diferentes prioridades e visões para o setor. O papel do eleitor é fundamental para definir quais dessas iniciativas terão espaço e suporte nos próximos quatro anos, impactando diretamente a circulação cultural, a preservação do patrimônio e o fortalecimento da economia criativa em Pernambuco.

