Imersão na trajetória artística de Gabriel Wickbold
O fotógrafo carioca Gabriel Wickbold dedica duas décadas de sua carreira a examinar temas como o rosto, a memória, a inteligência artificial e as complexas relações entre o homem e a natureza. Mais do que simples motivos para suas fotografias, esses elementos se transformam em perguntas fundamentais: “Quem somos quando nos olhamos?” e “O que permanece quando corpo, rosto e memória se transformam, se sobrepõem ou viram dados?”.
Essas reflexões estão reunidas em 60 trabalhos expostos na mostra “Imersão e Origem – 20 anos ATO I”, que acontece no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), localizado no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. A exposição cobre diferentes fases da produção do artista, apresentando séries como “Brasileiros”, “Sexual Colors”, “Naïve” e “Maze”. Destaca-se, também, o lançamento do trabalho inédito “Maze ID”, que conecta a pesquisa sobre identidade às áreas da inteligência artificial e biometria.
Um olhar sobre o corpo e a identidade
Mais do que uma simples retrospectiva, a exposição propõe um mergulho nas questões que atravessam a obra de Wickbold ao longo dos anos. O artista utiliza diversas técnicas e linguagens para transformar em imagens suas investigações sobre a construção da identidade, o olhar para o próprio corpo e como nos compreendemos como indivíduos e sociedade.
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“São vinte anos de uma jornada imagética de busca pela identidade. As séries mudam, as imagens mudam, as técnicas mudam, mas existe uma pergunta que continua atravessando todo o trabalho: como podemos mudar tanto sem deixar de ser quem somos?”, explica Gabriel Wickbold.
Experiência imersiva no MEPE
A montagem da exposição no Museu do Estado proporciona uma experiência única de circulação entre imagens, espaços e projeções. Os visitantes são convidados a percorrer diferentes momentos da pesquisa do fotógrafo, percebendo conexões, transformações e permanências que costuram a trajetória do artista.
Destaques da mostra incluem a série “Brasileiros”, que marca um dos pontos iniciais da produção autoral de Wickbold; “Sexual Colors”, onde corpo, tinta e fotografia se fundem em imagens intensas e coloridas; e “Naïve”, que aborda as tensões entre o homem e a natureza. A série “Maze” aprofunda a investigação da identidade por meio da sobreposição de rostos, memórias e referências diversas.
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Por fim, “Maze ID” amplia o debate para o contexto contemporâneo, refletindo sobre o uso da inteligência artificial e biometria na circulação e manipulação das imagens faciais. O trabalho questiona os limites entre reconhecimento, memória, autoria e identidade, convidando o público a repensar como os rostos podem ser transformados em dados e recombinados.

