Caruaru amplia acesso à cultura em comunidades afastadas
Caruaru dá um passo importante para democratizar o acesso à cultura com o lançamento do projeto “Na Rota da Cultura”. Idealizado pela Fundação de Cultura local, o programa tem como objetivo levar atividades artísticas e formativas para áreas que costumam ficar à margem das iniciativas culturais tradicionais. A gerente de projetos especiais da Fundação, Jo Barbosa, explicou a proposta durante entrevista ao programa Cidade Entrevista, no Manhã Cidade.
Descentralização e valorização dos Patrimônios Vivos
O projeto surgiu da preocupação da gestão municipal em fazer a cultura chegar de fato a todos os cantos da cidade. Em encontros com o prefeito Rodrigo Pinheiro e o presidente da Fundação de Cultura, Erlon Cavalcanti, a questão central era: “E quem mora longe? Como essas pessoas acessam a cultura?”. Com base na Política Nacional de Arte e Biblioteca (PNAB) e com aprovação do Conselho Municipal de Política Cultural, a Fundação desenvolveu um programa contínuo para circular pelos territórios, garantindo que a cultura seja um direito acessível.
A primeira fase do “Na Rota da Cultura” consiste na exibição de documentários que retratam os 19 Patrimônios Vivos de Caruaru — artistas e mestres reconhecidos por suas contribuições históricas e culturais. Após cada sessão, o público poderá dialogar diretamente com esses mestres, aproximando gerações e fortalecendo a identidade cultural local. Jo exemplifica a experiência: “Imagina uma comunidade inteira conversando com Dona Terezinha Gonzaga ou com Onildo Almeida, que tem 98 anos e segue ativo. É uma vivência que emociona e educa.”
Logística e parcerias para alcançar as comunidades
Para garantir a estrutura necessária, o projeto contará com telão, projetor, cadeiras e uma van adquirida pela PNAB, que transportará a equipe e os artistas. A divulgação será feita antecipadamente por meio das escolas, líderes comunitários e carros de som, recurso bastante utilizado nas zonas rurais. As primeiras dez localidades atendidas estão sendo definidas em conjunto com as Secretarias de Educação e Desenvolvimento Rural, que auxiliam na escolha dos espaços adequados, assegurando energia elétrica, cadeiras extras e banheiros quando necessário.
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Jo enfatiza que o programa não ficará restrito às escolas: “Vamos ocupar também outros espaços comunitários. O fundamental é que o local possa acomodar o público e a estrutura.” A previsão é reunir entre 100 e 150 pessoas por evento, incluindo estudantes, moradores e famílias.
Intercâmbio cultural e fortalecimento das tradições
Um diferencial do projeto é promover o intercâmbio cultural entre comunidades. Em vez de apresentar apenas artistas locais, a Fundação pretende aproximar diferentes tradições, ampliando os horizontes culturais dos participantes. Por exemplo, uma comunidade com banda de pífano poderá assistir a documentários sobre outros Patrimônios Vivos de áreas distintas, incentivando a troca e o diálogo cultural.
Antes das exibições, a equipe fará uma rota especial pelo Alto do Moura, onde cinco Patrimônios Vivos atuam. A ideia é que eles conheçam os espaços uns dos outros, criando vínculos e novas possibilidades de atuação conjunta.
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Fonte: indigenalise-se.com.br
Oficinas e apresentações para engajar o público
Após a etapa dos documentários, o “Na Rota da Cultura” incluirá oficinas de pintura, barro, cordel e xilogravura, além de pequenas apresentações musicais, como trios de forró e bandas de pífano. A proposta não é replicar grandes eventos, mas sim construir um projeto comunitário que aproxima e forma o público local. Jo reforça: “Não é para grandes shows, mas para fortalecer a cultura de forma visceral e participativa.”
As oficinas terão até 30 participantes para garantir um acompanhamento mais próximo e qualidade na formação.
Resultados e reflexos na economia local
Durante a entrevista, Jo destacou também a revitalização das escadarias do Monte Bom Jesus, grafitadas pelo artista Magrelo. A intervenção cultural já provocou impacto positivo no turismo e na economia da região, com aumento nas vendas das tapioqueiras e dos comerciantes locais. “Quando a ação é pensada com diálogo e boa intenção, funciona sem a necessidade de grandes estruturas”, observou.

