A Integração da Saúde Animal e Humana como Estrategia Vital para o Futuro
Em um contexto global onde 60% das doenças infecciosas que afetam os humanos têm origem animal, é fundamental reconhecer que cuidar da saúde dos animais é também uma forma de cuidar da saúde das pessoas e do planeta. O conceito de One Health, que integra saúde humana, animal e ambiental, deixou de ser apenas uma tendência e tornou-se uma necessidade, especialmente em face de um cenário em que as zoonoses se destacam como uma das maiores ameaças à saúde pública.
O Brasil, com sua vasta população de animais de estimação, uma robusta produção agropecuária e intensa movimentação de pessoas e mercadorias, exemplifica essa realidade multifacetada. A vigilância constante é imprescindível, uma vez que a prevenção de zoonoses exige um manejo apropriado, vacinação adequada, controle rigoroso de resíduos e uso consciente de medicamentos veterinários. Quando esses pilares falham, as consequências são alarmantes: aumentam os riscos de surtos, comprometem a segurança alimentar e, por consequência, a saúde da população.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente existem mais de 200 enfermidades zoonóticas reconhecidas, que correspondem a 62% das doenças de notificação obrigatória em nível global. Além disso, estima-se que a cada ano, cerca de dois milhões de pessoas percam suas vidas devido a zoonoses negligenciadas, especialmente em países de baixa e média renda. O avanço das fronteiras agrícolas, a crescente demanda por proteína animal, a exploração indiscriminada da vida silvestre e as mudanças climáticas intensificam o contato entre diferentes espécies, elevando os riscos de novas infecções.
O impacto ambiental dessas ações também é significativo. Substâncias químicas utilizadas ou descartadas de maneira inadequada podem contaminar tanto o solo quanto a água, criando um ciclo de danos que afeta toda a cadeia ecológica. Nesse cenário, a prevenção se torna intrinsicamente ligada à conscientização e à comunicação eficaz. Em um mundo hiperconectado, onde quase 5 bilhões de pessoas estão ativas nas redes sociais, espalhar informações confiáveis é tão crucial quanto a utilização de vacinas e medicamentos seguros.
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) desempenha um papel essencial nesse diálogo, promovendo campanhas e pesquisas que sublinham a importância de uma orientação técnica adequada e a escolha por produtos de origem comprovada. O Radar Vet, um estudo nacional realizado pela Comac/Sindan, revela um mercado em transformação: há um crescimento no número de médicos-veterinários autônomos, especialistas e atuantes nas redes sociais. Este novo perfil não apenas amplia o alcance da informação, mas também aumenta a responsabilidade de se comunicar com base científica e ética profissional.
A prevenção de zoonoses é uma responsabilidade compartilhada. Envolve tutores, produtores rurais, profissionais de saúde, órgãos reguladores e a sociedade como um todo, que depende de alimentos seguros e ambientes saudáveis. Cada elo dessa cadeia desempenha um papel vital, desde o uso consciente de medicamentos até o descarte correto de resíduos e a luta contra a desinformação.
Cuidar da saúde animal, portanto, é o primeiro passo para garantir a saúde humana. Diante de desafios sanitários cada vez mais complexos, a informação, a ciência e a responsabilidade coletiva se configuram como as vacinas mais eficazes para um futuro em harmonia entre as espécies.

