O Retorno do Arsenal à Final da Champions League
Após duas longas décadas, o Arsenal retorna à final da Champions League. O gol decisivo que garantiu a vaga do time londrino foi anotado por Saka, que marcou na vitória por 1 a 0 sobre o Atlético de Madrid, na semifinal realizada na última terça-feira. Agora, os gunners têm mais uma oportunidade de conquistar o título inédito da competição, que têm buscado desde a sua primeira participação na decisão.
Na edição de 2005/06, o Arsenal quase alcançou esse sonho. Liderado pelo ícone Thierry Henry, o time contava também com jovens promessas como Van Persie e Fàbregas, além de estrelas como Sol Campbell, Robert Pirès e o brasileiro Gilberto Silva, e até mesmo um Bergkamp já em seus últimos jogos como profissional. Naquela ocasião, o Arsenal enfrentou o Barcelona, que contava com peças de peso como Ronaldinho, Deco e Eto’o. A partida terminou em 2 a 1 para os espanhóis, após Campbell abrir o placar e Eto’o e Belletti selarem a virada.
Naquela época, o Arsenal era uma das sensações do futebol europeu. Após conquistar a Premier League de forma invicta, a equipe carregava as esperanças de sua torcida por um título tão sonhado. A frustração daquela final de 2006 marcou a geração de torcedores, que agora se vêem novamente na expectativa de um triunfo.
O GLOBO relembra o contexto no qual aquela decisão foi disputada e como o futebol e o mundo evoluíram desde então.
O Cenário do Futebol em 2006
A edição da Champions League de 2005/06 teve como atual campeão o Liverpool, que havia conquistado seu quinto título após um épico 3 a 3 contra o Milan. No entanto, os reds foram eliminados nas oitavas de final pelo Benfica, que por sua vez seria derrotado pelo Barcelona, o campeão daquela temporada. O Arsenal, por sua vez, teve uma trajetória impressionante, superando gigantes como Real Madrid, Juventus e Villarreal até chegar à final.
Naquele ano, o Real Madrid já era o maior campeão da Champions League, com nove troféus, um número que cresceu para quinze ao longo dos anos. O Milan seguia como o segundo maior vencedor, com sete títulos. Em 2006, outros times também celebraram conquistas importantes: o Chelsea, pela terceira vez; o Lyon, com seu quinto título; o Bayern de Munique, que conquistou o vigésimo; a Inter de Milão, com o décimo quarto; o Barcelona, alcançando o décimo oitavo; e o Porto, que faturou seu vigésimo primeiro título.
No Brasil, o campeão do Campeonato Brasileiro de 2006 foi o São Paulo, que iniciava um tricampeonato inédito. O Internacional, por sua vez, ganhou a Libertadores pela primeira vez, ao vencer o São Paulo, e no Mundial de Clubes enfrentou o Barcelona. Além disso, a seleção brasileira, então campeã do mundo, foi eliminada nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006 pela França, que se consagraria campeã após derrotar a Itália na final.
O Mundo Fora do Futebol em 2006
No mundo em 2006, Bento XVI ocupava o trono papal, enquanto Evo Morales era eleito presidente da Bolívia. No cinema, “Crash: no limite” conquistou o Oscar de melhor filme, enquanto Philip Seymour Hoffman e Reese Witherspoon foram reconhecidos como melhores atores. O Twitter, atualmente conhecido como X, foi lançado naquele ano, e músicas como “SexyBack” de Justin Timberlake e “Hips Don’t Lie” de Shakira dominaram as paradas.
Plutão foi reclassificado e deixou de ser considerado um planeta, marcando uma mudança significativa na astronomia. Além disso, a execução de Saddam Hussein chocou o mundo e foram lançados consoles icônicos, como o Playstation 3 e o Nintendo Wii. Os celulares da marca Nokia eram os mais vendidos, enquanto o iPhone ainda estava por vir.
No Brasil, o panorama também era agitado. A Varig, uma das principais companhias aéreas, encerrou suas atividades, e Lula foi eleito para seu segundo mandato. O Carnaval do Rio de Janeiro teve a Vila Isabel como campeã, enquanto o astronauta Marcos Pontes fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a ir ao espaço. Porém, o ano também foi marcado por tragédias, como o brutal caso Suzane von Richtofen e a tragédia aérea do voo Gol 1907, que deixou 154 mortos.
Em meio a tantas transformações, o cenário esportivo e cultural de 2006 permanece na memória, e agora, com o Arsenal de volta à final da Champions League, a nostalgia e a esperança se misturam para uma nova geração de torcedores.

