Formação voltada para comunidades de terreiro
Mestres, mestras, griôs, músicos, artesãos e integrantes de expressões culturais como afoxés, maracatus de baque virado, grupos de coco, capoeira, samba de roda, percussão, dança afro, canto e culinária tradicional têm uma oportunidade inédita em Pernambuco. O projeto Economia Ancestral – Gestão Cultural Criativa para Territórios de Terreiro abre inscrições gratuitas para um curso que aborda escrita de projetos, divulgação e captação de recursos. A iniciativa também é destinada a membros de comunidades de Candomblé, Umbanda, Jurema Sagrada e outras tradições de terreiro, além de representantes de Pontos e Pontões de Cultura e Patrimônios Vivos ligados às culturas de matriz africana. As inscrições começam na quinta-feira, 15 de outubro, por meio do formulário disponível em bit.ly/4i5GaSb.
Conteúdo e agenda das aulas
O curso, que acontece durante o Mês da Consciência Negra em novembro, visa capacitar os participantes a organizar e estruturar projetos culturais, ampliar a divulgação de suas iniciativas e identificar caminhos para buscar financiamento por meio de editais culturais. As atividades serão presenciais, nos dias 31 de outubro e 1º, 7 e 8 de novembro, nos fins de semana, das 9h às 16h, em dois terreiros localizados em Paudalho. Ao todo, serão 30 horas de encontros com práticas, rodas de conversa e troca de experiências. A alimentação será oferecida nos locais, e o projeto prevê apoio para deslocamento de até dez participantes de municípios da Mata Norte.
Metodologia e aplicação prática
Partindo das práticas culturais que cada participante já realiza em seu território — seja uma roda de coco, um grupo de percussão, uma atividade de capoeira, uma celebração, uma produção artesanal ou um trabalho de memória —, o curso busca transformar essas vivências em projetos estruturados, com planejamento e estratégias de comunicação. Além disso, o conteúdo pode ser utilizado por aqueles que desejam concorrer a oportunidades ligadas à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Funcultura Pernambuco, Política Nacional Cultura Viva e outros editais em diferentes esferas.
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Fonte: amapainforma.com.br
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Fonte: diretodecaxias.com.br
Divisão dos módulos e equipe facilitadora
A programação é dividida em quatro módulos, conduzidos por profissionais que atuam em diferentes áreas da cultura e comunicação. Tagore Simões abordará políticas culturais, direitos e oportunidades em “Abrir Caminhos”. Belisa Alves será responsável pelo módulo “Dar Forma à Potência”, focado em planejamento e estruturação. Pedro Akanni conduzirá “Fazer a Potência Circular”, que trata de economia, renda e sustentabilidade, enquanto Salatiel Cícero, da Hub Baobá – Comunicação, Cultura e Inovação, liderará “Contar para Fazer Chegar Mais Longe”, que discute narrativa, comunicação e circulação cultural.
Laboratório e apresentação de projetos
Os participantes terão a chance de desenvolver suas próprias propostas em um laboratório prático. O objetivo é estruturar entre dez e quinze iniciativas culturais ao longo do curso. Para encerrar, os trabalhos serão apresentados em formato de pitch, exercitando a clareza na apresentação das ideias e facilitando a circulação das iniciativas em diferentes espaços e oportunidades.
Importância dos terreiros para a cultura afro-brasileira
Além da dimensão religiosa e espiritual, os terreiros são espaços fundamentais para a preservação, produção e transmissão de expressões culturais afro-brasileiras, como música, dança, canto, oralidade, culinária, vestimentas e celebrações. Essas práticas guardam memórias, fortalecem os vínculos comunitários e dinamizam atividades culturais e econômicas. O projeto Economia Ancestral reconhece os terreiros como territórios vivos que integram cultura, espiritualidade, organização comunitária e economia da cultura.
Profissionais envolvidos e apoio institucional
A equipe do projeto reúne profissionais de destaque na área cultural: Belisa Alves, produtora e gestora cultural que realizou o Mapeamento Cultural dos Terreiros de Paudalho e o dossiê Território Ancestral; Salron Veraldo Valdeci, Jaifalerì e Babalossayn do Ilê Axé Xangô Ayra, que participou do mapeamento de 19 casas de matriz africana em Paudalho; Tagore Simões, atuante em produção cultural, audiovisual e musical; e Salatiel Cícero, jornalista e responsável pela comunicação cultural da Hub Baobá – Comunicação, Cultura e Inovação.
O projeto é incentivado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco e do Governo do Estado, em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo Federal, no âmbito do Sistema Nacional de Cultura.

