Movimento Crescente de Ex-Gestores
Nas próximas eleições, a política brasileira verá um fenômeno notável: a ascensão de ex-gestores de segurança, que buscam uma chance nas urnas em 12 estados do país. O aumento da violência e a insegurança têm se tornado temas centrais no debate político, levando esses ex-secretários a deixar seus cargos em busca de novas oportunidades. Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, é um dos nomes mais proeminentes nessa corrida, contando com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. O fenômeno reflete uma tendência crescente de policiais e especialistas em segurança buscando ocupar cargos políticos mais altos.
Um levantamento realizado pelo veículo O Globo revelou que pelo menos 15 ex-secretários de Segurança ou líderes das polícias Militar e Civil manifestaram a intenção de se candidatar nas eleições de outubro. Essa movimentação abrange quase metade das 27 unidades da federação, com candidatos representando as cinco regiões do Brasil.
Guilherme Derrite: Um Nome em Evidência
Guilherme Derrite, policial militar da reserva e ex-secretário de Segurança de São Paulo, se destaca nesta corrida. Ele ocupou o cargo entre 2023 e novembro do ano passado e, ao deixar o governo de Tarcísio de Freitas, voltou à Câmara dos Deputados para relatar o Projeto de Lei Antifacção, que visa combater o crime organizado. Nesse contexto, Derrite já contava com a aprovação do ex-presidente Jair Bolsonaro para se candidatar ao Senado, representando a direita paulista.
Com uma expressiva base de 1,5 milhão de seguidores no Instagram, Derrite integra um novo padrão de ex-gestores que utilizam suas presenças digitais para promover suas candidaturas. Suas postagens incluem participações em podcasts, programas de rádio e TV, além de vídeos sobre ações policiais e críticas direcionadas ao governo federal.
Estratégia e Participação Política
De acordo com Carolina Ricardo, presidente do Instituto Sou da Paz, os ex-gestores de segurança têm utilizado suas posições como plataformas eleitorais desde o início de seus mandatos. Derrite, por exemplo, soube explorar sua imagem e suas conexões em redes sociais para se destacar. A secretária de Segurança Pública de São Paulo, por tradição, não costuma ser um trampolim para carreiras políticas, com algumas exceções, como o ex-presidente Michel Temer.
Atualmente, a maioria dos ocupantes dessa pasta vem do Ministério Público estadual, com Derrite sendo uma das raras exceções. Ao mesmo tempo, um novo movimento se forma com ex-comandantes e delegados que estão se lançando em suas próprias candidaturas.
A Visibilidade Política dos Profissionais de Segurança
Derrite também tem atuado ativamente na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um evento recente, ele apareceu ao lado de Flávio, que expressou sua intenção de criar um Ministério da Segurança Pública se for eleito. No vídeo, Flávio manifestou preocupações sobre possíveis vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL Antifacção, enquanto Derrite criticou o projeto, considerando-o “fraco” e com “penas brandas”.
Entre os ex-gestores que o Globo identificou, a maioria (sete ao todo) ocupava postos de secretários estaduais de Segurança. Também há um ex-titular de pasta municipal, cinco ex-comandantes da PM e dois ex-gestores da Polícia Civil, como Ulisses Gabriel, que anunciou sua candidatura após deixar sua posição em meio a polêmicas.
O Novo Cenário da Segurança Pública na Política
O coronel Marcelo Menezes, que deixou a Secretaria da Polícia Militar, aponta que a quantidade de candidaturas provenientes do setor de segurança não é mera coincidência. Segundo ele, o movimento foi debatido em reuniões do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das PMs, especialmente em resposta à PEC da Segurança, proposta pelo governo Lula, que despertou a necessidade de representação qualificada no tema.
Com as eleições se aproximando, a política brasileira observa uma transformação significativa, onde os temas de segurança e violência assumem um papel central nas campanhas. A crescente insatisfação da população com esses temas torna as candidaturas de ex-gestores de segurança ainda mais relevantes. Contudo, especialistas alertam que a migração desses profissionais para a política pode trazer riscos, com a possibilidade de que a pauta da segurança seja usada para interesses eleitorais, ao invés de ser tratada de forma séria e comprometida.

