Uma Nova Abordagem para a Educação Profissional
Recentemente, representantes de um município da Serra gaúcha contataram a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) com a proposta de criar um curso profissional de nível médio voltado para o turismo em uma de suas escolas. À primeira vista, esta escolha parecia lógica, considerando a vocação local para o turismo. No entanto, após a análise minuciosa de diversos dados, os funcionários da Seduc concluíram que o mercado já estava saturado desse tipo de formação, apresentando poucas perspectivas de novas contratações na área. Assim, a secretaria optou por priorizar a criação de um curso na área de logística, considerada mais promissora. Essa análise foi possível graças ao uso de uma ferramenta digital inovadora, que vem desempenhando um papel crucial na expansão da rede de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) nas escolas públicas estaduais.
A chamada “ferramenta de definição da oferta de cursos” funciona como um extenso banco de dados, que integra informações sobre o mercado de trabalho, dados do censo, infraestrutura escolar e indicadores socioeconômicos, organizados por município. Com ela, é viável cruzar dados sobre quais profissões estão em ascensão ou declínio na região, utilizando informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), com dados demográficos e a quantidade de matrículas disponíveis nos colégios estaduais. A análise também inclui a verificação de cursos em outras redes, para evitar a duplicidade de ofertas.
“A empregabilidade é um dos pilares fundamentais dos cursos técnicos. Assim, essa ferramenta nos proporciona decisões fundamentadas em dados e não meras suposições que, muitas vezes, permeiam o senso comum”, observa Tomás Collier, superintendente de Educação Profissional da Seduc. Quando a plataforma indica uma crescente demanda para uma determinada ocupação em uma região com boa infraestrutura e um corpo docente qualificado, e constata que não existem opções de formação equivalentes, isso sugere um cenário favorável para a implementação de um novo curso. Por outro lado, se os dados apontam uma tendência de queda nas contratações, a falta de laboratórios adequados ou a presença de cursos semelhantes em outras redes, a proposta para abrir novas vagas se torna menos viável.

