Um Chamado à Ação Social e Política
No seu discurso inaugural na Guiné Equatorial, o Papa Leão XIV enfatizou a crescente disparidade social, afirmando que “o fosso entre uma pequena minoria – 1% da população – e a vasta maioria aumentou de maneira dramática”. Ao abordar a exclusão como a nova face da injustiça social, ele sublinhou a necessidade de uma política que promova o desenvolvimento humano integral. Esta visita, realizada em 21 de abril, é a última etapa de sua viagem apostólica pela África, onde busca dialogar com as nações sobre questões sociais e éticas.
Recebido pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e autoridades locais no Aeroporto de Malabo, o Papa foi apresentado a um ambiente de celebração, com crianças oferecendo flores. A visita de cortesia ao Palácio Presidencial marcou o início de um diálogo mais profundo sobre os desafios enfrentados pelo país e pela sociedade em geral.
Durante seu encontro com líderes da sociedade civil e do corpo diplomático, Leão XIV manifestou sua alegria por visitar o povo equato-guineense e recordou a histórica visita de São João Paulo II ao país em 1982. O Papa afirmou que as aspirações de um povo por liberdade, justiça e dignidade permanecem mais relevantes do que nunca, desafiando os líderes a agir em favor do bem-estar coletivo.
Reflexões sobre Justiça e Inclusão
Em suas palavras, Leão XIV buscou expressar a interconexão das alegrias e tristezas da humanidade e como elas ecoam no coração da Igreja. Ele citou a Constituição Gaudium et spes do Concílio Vaticano II para reforçar a importância de acompanhar e apoiar aqueles que sofrem. “As alegrias e esperanças dos pobres são também as nossas”, ressaltou, enfatizando a responsabilidade moral dos líderes em atuar em prol de uma sociedade mais equitativa.
O Papa também fez referência a Santo Agostinho, que descreveu a coexistência entre a cidade terrena e a celeste. Ele instou os equato-guineenses a refletirem sobre a decisão de nomear a nova capital como Ciudad de la Paz, sugerindo que isso deve inspirar um compromisso com a justiça e a paz, tanto na vida diária quanto nas esferas de governança.
Leão XIV destacou que é essencial que as autoridades civis removam os obstáculos ao desenvolvimento humano integral, reiterando que a solidariedade e o acesso equitativo aos recursos são princípios fundamentais para uma sociedade justa. Ele alertou que as novas tecnologias, embora possam ser benéficas, também coexistem com a exclusão e desigualdade, gerando um paradoxo que precisa ser abordado de forma urgente.
A Chamada por Mudanças Estruturais
O Papa ressaltou a necessidade de uma mudança de paradigma na política e na economia, lembrando o apelo do Papa Francisco para dizer “não a uma economia da exclusão e da desigualdade social”. Em sua visão, questões de justiça social devem estar no centro das políticas públicas, especialmente em um mundo cada vez mais marcado por conflitos e desigualdades econômicas.
Ele também mencionou que a proliferação de conflitos é frequentemente alimentada pela luta por recursos naturais, sem respeito pelas normas internacionais ou pelos direitos das comunidades locais. A urgência de ação, segundo Leão XIV, é ainda mais intensa hoje, dado que a tecnologia, em muitos casos, é empregada para fins bélicos, e não para o bem social.
“Sem uma mudança de rumo na responsabilidade política, o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido”, alertou. Ele enfatizou que os líderes devem evitar a utilização do nome de Deus para justificar ações violentas e discriminatórias, exortando-os a rever suas trajetórias de desenvolvimento.
Um Caminho Coletivo para a Paz
Concluindo seu discurso, Leão XIV convidou o povo da Guiné Equatorial a buscar um futuro mais justo e pacífico, onde a Igreja possa ser um auxílio na formação de consciências livres e responsáveis. Ele defendeu a urgência de políticas que garantam o bem comum e a promoção da paz, especialmente para as novas gerações. “O mundo está clamando por justiça”, afirmou, destacando a coragem necessária para implementar visões inovadoras voltadas para o bem-estar coletivo.
O Papa Leão XIV, ao final de suas reflexões, deixou uma mensagem de esperança e um convite à ação conjunta, ressaltando que a caminhada rumo à verdadeira paz deve ser uma jornada coletiva e consciente das necessidades de todos.

