Reforma Tributária e o novo cenário fiscal
A próxima gestão do Palácio do Campo das Princesas terá pela frente uma agenda econômica que vai além das disputas políticas. Entre 2027 e 2030, Pernambuco precisa lidar com oito desafios estruturais que definirão seu crescimento. O primeiro deles é consolidar a Reforma Tributária, que substitui o ICMS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), eliminando a guerra fiscal que foi o principal atrativo para a indústria local. Durante a transição entre 2026 e 2033, o governo terá que equilibrar as possíveis perdas na arrecadação e a dependência dos fundos de compensação federais. Além disso, será essencial reconstruir a competitividade do estado com foco em eficiência logística, produtividade, segurança jurídica e qualificação da mão de obra. A reforma também valoriza polos de consumo importantes, como a Região Metropolitana do Recife, mas transformar essa vantagem em resultados concretos exigirá uma atuação firme junto ao Comitê Gestor nacional.
Infraestrutura logística: além das rodovias
Outro ponto crítico está na infraestrutura logística. O Complexo Industrial Portuário de Suape só poderá se afirmar como um verdadeiro hub regional com a implementação do ramal Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina. Essa ferrovia deve integrar-se ao transporte de cabotagem, ao aeroporto de cargas e à logística de “última milha”, que inclui a cadeia fria para a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, estradas vicinais e acessos aos distritos industriais do interior. Sem essa integração multimodal, o escoamento da produção continuará limitado, mesmo com melhorias nas rodovias.
Transição energética e economia verde como motor de crescimento
A transição energética representa a maior oportunidade para Pernambuco. O estado já atrai investimentos estratégicos, como a fábrica de e-metanol da GoVerde, os aportes da European Energy, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Suape e um megacomplexo sino-brasileiro focado em hidrogênio verde. Somados, esses projetos chegam a cerca de R$ 16 bilhões. O desafio não é apenas captar esses investimentos, mas garantir que toda a cadeia produtiva se estabeleça no estado, promovendo conteúdo local, geração de empregos qualificados, pesquisa e desenvolvimento, alinhados à política industrial verde federal, conhecida como Nova Indústria Brasil.
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Fortalecimento dos pequenos negócios e empreendedorismo
Por fim, a base produtiva de menor escala precisa de políticas sólidas de apoio. O estímulo a micros e pequenos empreendedores, tanto urbanos quanto rurais, é fundamental. Os cerca de 80 mil novos negócios abertos recentemente em Pernambuco são, em grande parte, Microempreendedores Individuais (MEIs). O sucesso dessas iniciativas não pode ser medido somente pelo número de registros, mas pela sustentabilidade dessas empresas, que depende de crédito direcionado, compras governamentais estratégicas, desburocratização e ganhos reais de eficiência.
Na próxima edição, serão abordados os desafios relacionados à educação, qualificação profissional, demografia, planejamento territorial e a capacidade fiscal e administrativa do estado.
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Fonte: parabelem.com.br

