Plano de Salvaguarda da Capoeira é reconhecido em Pernambuco
Pernambuco, um dos estados mais importantes para a história da capoeira no Brasil, acaba de consolidar um instrumento essencial para a proteção e valorização dessa manifestação cultural. Oficialmente reconhecida como patrimônio cultural do Brasil desde 2008 e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2024, a capoeira agora conta com o Plano de Salvaguarda da Capoeira de Pernambuco, validado em 27 de outubro, que orienta a ampliação e fiscalização das políticas públicas existentes, além de sugerir novas iniciativas a partir das contribuições dos mestres, contramestres e praticantes de todo o estado.
Participação ativa da comunidade e instituições
A validação do Plano ocorreu na sede pernambucana do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reunindo capoeiristas presencialmente e por videoconferência, além de representantes da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Esta última foi parceira fundamental na coleta de informações e elaboração do documento, garantindo que as vozes da comunidade fossem ouvidas e consideradas em cada etapa.
Construído coletivamente, o Plano apresenta diretrizes para os capoeiristas, legítimos guardiões do bem imaterial, e para o poder público. Longe de ser uma legislação impositiva, ele é um guia para visibilizar a capoeira e assegurar sua transmissão às futuras gerações. Conforme explica o Iphan, esse tipo de plano pressupõe uma gestão compartilhada, com instâncias formais para planejar, acompanhar e validar as ações propostas, fortalecendo a autonomia das comunidades envolvidas na gestão do seu patrimônio cultural.
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Fortalecimento das políticas públicas para a capoeira
Jacira França, superintendente de Patrimônio Imaterial da Fundarpe, destaca que políticas públicas para a capoeira já existem há algum tempo em Pernambuco, e o Plano de Salvaguarda vem para consolidar e expandir essas ações. “A validação deste Plano pelos capoeiristas é um marco para Pernambuco, pois possibilita a estruturação e o fortalecimento das políticas culturais relacionadas à capoeira”, afirma Jacira.
Para a representante do Iphan em Pernambuco, Lívia Moraes, que conduziu a validação, a aprovação do plano é um passo decisivo para garantir que as ações previstas sejam implementadas e cobradas dos órgãos públicos. “Após a incorporação das sugestões feitas na reunião, o documento será publicado e a comunidade terá acesso para reivindicar seu cumprimento junto aos governos municipal, estadual e federal”, explica a historiadora e assessora técnica.
Processo participativo e eixos de atuação do Plano
O Plano de Salvaguarda foi elaborado a partir de uma construção coletiva iniciada na atual gestão da Fundarpe, por meio dos Fóruns de Salvaguarda da Capoeira e de uma Consulta Pública online. Os Fóruns reuniram capoeiristas e interessados entre dezembro de 2025 e março de 2026 em cidades estratégicas como Salgueiro, Arcoverde, Caruaru, Palmares, Igarassu e Recife. Essas localidades foram selecionadas com base em pesquisas que identificaram os principais polos de capoeira, considerando o número de praticantes e a capacidade de atrair participantes de regiões vizinhas.
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Além das contribuições presenciais, a Consulta Pública digital, realizada durante abril de 2026, ampliou a participação, permitindo que aqueles impossibilitados de comparecer aos encontros presenciais também colaborassem com sugestões para o Plano.
Após a coleta e análise das contribuições, o Plano estruturou-se em quatro eixos principais: mobilização social e alcance da política; gestão participativa no processo de salvaguarda; difusão e valorização; e produção e reprodução cultural. Cada eixo traz objetivos específicos que se desdobram em ações concretas, formando um roteiro estratégico para a preservação e promoção da capoeira em Pernambuco.
Com essa iniciativa, Pernambuco reafirma seu papel central na história e no futuro da capoeira, oferecendo à comunidade ferramentas para fortalecer práticas culturais que atravessam gerações e consolidam a identidade do estado no cenário nacional e internacional.

