Adolescentes Pernambucanos Brilham no Festival de Gramado
Durante o mês de julho, a Cinemateca Pernambucana, localizada no bairro de Casa Forte, no Recife, virou palco para a criação audiovisual de jovens talentos. O projeto Trela Audiovisual reuniu adolescentes que transformaram suas experiências e histórias em curtas-metragens, mostrando a força da nova geração no cenário do cinema pernambucano.
Essa produção ganhou destaque nacional ao chegar ao Festival de Cinema de Gramado, onde quatro curtas produzidos pelos participantes foram selecionados para a 2ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil Educavídeo. Juntos, os filmes conquistaram sete prêmios, evidenciando a qualidade e o potencial dos jovens cineastas.
Premiações e Reconhecimento no Festival
O curta “Espectro” destacou-se ao receber os prêmios de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Som na categoria Ensino Fundamental. Já “Destino Final” foi premiado como Melhor Direção e Melhor Direção de Arte na mesma faixa etária. Entre os estudantes do Ensino Médio, “O Que É o Amor no Meio desse Preto e Branco” conquistou o prêmio de Melhor Som, enquanto “Dia de Entregador” recebeu Menção Honrosa.
Ao todo, 25 alunos participaram da edição recente do Trela Audiovisual, vivenciando etapas variadas da produção de curtas, desde a criação até as filmagens. O projeto visa formar gratuitamente adolescentes para fomentar o surgimento de novos realizadores no cinema.
Formação e Democratização no Cinema Local
Desde sua criação em 2017, o Trela Audiovisual já realizou 21 edições, com mais de mil inscrições e aproximadamente 300 jovens formados em oficinas e cursos focados em diversas fases da produção audiovisual. Além de ensinar técnicas, o projeto promove o acesso democrático à linguagem do cinema, valorizando narrativas que refletem as vivências e territórios dos próprios participantes.
O processo seletivo inclui ações afirmativas, com cotas para estudantes de escolas públicas, pessoas pretas, pardas e indígenas, mulheres, pessoas transgêneras e não binárias. Financiado pelo Funcultura, por meio da Fundarpe e do Governo de Pernambuco, o projeto conta também com o apoio da Cinemateca Pernambucana.
Novos Talentos e Caminhos Profissionais
O impacto do Trela Audiovisual já se reflete nas escolhas acadêmicas e profissionais dos jovens envolvidos. Levi Meireles, de 16 anos, descobriu na experiência do projeto uma nova perspectiva sobre cinema e decidiu cursar Cinema na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em sua participação, Levi trabalhou no curta “Me Mande um Sinal”, que aborda a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a comunicação entre um rapaz e uma menina surda.
“O que mais me chamou a atenção foi a complexidade por trás de cada decisão e a importância dos detalhes, algo que não percebemos como espectadores”, relata Levi. Ele destaca ainda o acesso a equipamentos profissionais e a experiência colaborativa que o cinema exige.
Outra jovem que visa seguir carreira no audiovisual é Julia Pereira, de 14 anos, que participou do projeto em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Ela integrou a equipe do curta “Destino Final”, ambientado em um mundo pós-apocalíptico após uma invasão zumbi. Com duas premiações em Gramado, Julia reafirma seu compromisso e paixão pelo cinema.

