A Desvalorização do Dólar e a Confiança no Governo Lula
Na última sexta-feira, o dólar à vista registrou uma forte queda, fechando abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024. Essa movimentação reflete a crescente confiança do mercado na política econômica adotada pelo presidente Lula. A moeda americana, que encerrou o dia com desvalorização de 0,59%, foi negociada a R$ 4,8942, após atingir uma mínima de R$ 4,8902.
De acordo com informações do jornal Valor Econômico, ao longo da semana, o dólar acumulou uma desvalorização de 1,16%. Esse movimento ocorre em um contexto onde a moeda americana enfrenta um enfraquecimento global, impulsionado pela melhora na percepção de risco internacional e pelo fortalecimento das moedas de economias emergentes, com destaque para o real brasileiro.
Fatores que Contribuem para a Valorização do Real
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A combinação de juros elevados, melhora nos termos de troca e um fluxo robusto de capital em direção aos mercados emergentes tem beneficiado o Brasil. Esse cenário otimista reforça a noção de maior estabilidade econômica e aumenta a confiança nos fundamentos do país. Durante o pregão, o dólar operou em queda contínua, especialmente após a divulgação de dados que indicam um desempenho mais fraco do mercado de trabalho nos Estados Unidos, o que gerou expectativas de um enfraquecimento da economia americana e pressionou a moeda dos EUA no mercado internacional.
No cenário externo, o índice DXY, que avalia o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,20%, registrando 97,872 pontos próximos ao fechamento dos mercados. A maioria das moedas líquidas subiu contra o dólar, mas o real se destacou como uma das que mais se apreciaram durante o dia.
O Papel do Cenário Geopolítico e das Commodities
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Fonte: alagoasinforma.com.br
A melhora do cenário geopolítico também contribuiu para a diminuição da aversão ao risco global. Apesar da ausência de avanços concretos nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, a confiança dos investidores permaneceu alta, favorecendo ativos de maior risco e moedas de economias emergentes. Além disso, a sustentação dos preços das commodities em patamares elevados favorece países exportadores, como o Brasil, intensificando a valorização do real.
O mercado começou a interpretar que a recente volatilidade do câmbio estava menos relacionada a intervenções do Banco Central e mais a ajustes pontuais de posição. Em um relatório, Dev Ashsh, economista sênior do Société Générale, comentou que as ações do BC tiveram um impacto limitado nas flutuações da moeda. “Na prática, a medida introduz um leve impacto negativo de curto prazo sobre o real, mas a direção geral do câmbio e das taxas de juros ainda é dominada por fatores globais”, afirmou.
Revisões nas Projeções do Câmbio
Como resultado dessa valorização do real, instituições financeiras começaram a rever suas projeções para o câmbio. O BTG Pactual, por exemplo, revisou sua estimativa para o dólar no final de 2026 de R$ 5,20 para R$ 4,90. A economista Iana Ferrão, do banco, destacou que o novo cenário é mais favorável para a moeda brasileira. “A revisão reflete uma situação mais otimista para o real, com o dólar global perdendo força, mesmo com algumas oscilações pontuais de aversão ao risco. O choque positivo nas commodities está melhorando os termos de troca e a posição do Brasil entre os emergentes, enquanto o diferencial de juros elevado ainda sustenta a moeda”, afirmou.
O BTG também ressaltou que, embora o real continue sendo uma moeda de alta volatilidade, seu desempenho recente ocorreu com uma relativa estabilidade no curto prazo. Segundo Ferrão, o real ainda é sensível ao cenário internacional, aos preços das commodities e ao fluxo de capitais para países emergentes. “Atualmente, a volatilidade realizada do real, de 9,1% anualizada, não está entre as mais altas, mas em períodos mais longos, a moeda se alinha às de maior volatilidade”, concluiu.
Para os analistas do mercado, a queda do dólar é um indicativo de que o Brasil está atravessando um período de fortalecimento macroeconômico, sustentado pelo aumento da atividade econômica, recuperação da confiança e uma imagem mais positiva do país no cenário internacional sob a gestão de Lula.

