Inovação na geração de energia em Pernambuco
A tradicional queima de combustíveis fósseis nas termelétricas pode estar próxima do fim. A usina térmica Suape 2, localizada a 40 quilômetros do Recife, prepara-se para iniciar, em junho, testes com um motor que roda com uma mistura inédita: 97% de etanol e 3% de biodiesel. Essa iniciativa, fruto de um investimento de R$ 60 milhões, foi desenvolvida pela Suape Energia em parceria com a empresa finlandesa Wärtsilä, marcando um avanço tecnológico considerado pioneiro mundialmente.
Redução significativa nas emissões e fortalecimento da matriz renovável
Segundo Adriano Marcolino, gerente de desenvolvimento de negócios da Wärtsilä, a usina movida a etanol pode diminuir em até 80% as emissões de gases do efeito estufa em comparação com termelétricas que usam óleo combustível. Além disso, há quedas relevantes nos níveis de dióxido de enxofre, óxido nitroso e material particulado, poluentes que impactam diretamente a qualidade do ar.
Essa tecnologia surge em um momento crucial para o sistema elétrico brasileiro, que depende cada vez mais das fontes renováveis como solar e eólica, mas enfrenta desafios de intermitência. O governo federal tem recorrido à contratação de termelétricas para garantir o fornecimento estável, o que, tradicionalmente, eleva as emissões de carbono. “Para suprir a intermitência das fontes renováveis, uma usina a etanol oferece uma complementaridade perfeita”, destaca Marcolino.
Testes e potencial de expansão
O motor a etanol instalado na usina possui potência de 4 MW e será submetido a um rigoroso programa de testes, totalizando 4 mil horas de avaliação de desempenho e eficiência. Durante essa fase, a geração de energia poderá suprir o consumo de aproximadamente 16,5 mil residências, consumindo cerca de 6 milhões de litros do combustível.
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Estima-se ainda que a reserva técnica das produtoras brasileiras de etanol seja suficiente para abastecer esses motores nos períodos em que a geração térmica é necessária, sem a necessidade de expandir a área plantada ou comprometer a produção de alimentos, ressalta Marcolino.
Suape 2 como laboratório e horizonte para o etanol na geração elétrica
A UTE Suape 2 opera desde 2012 no Cabo de Santo Agostinho (PE) com 17 motores a óleo combustível, totalizando 381 MW de potência instalada, sem contar o novo motor a etanol. José Faustino, diretor técnico da Suape Energia, afirma que a usina será um laboratório fundamental para testar essa tecnologia. “Nos aquece o coração essa transformação. Esse vai ser o futuro”, afirma.
A empresa planeja ampliar a geração com etanol para até 600 MW nos próximos anos, o que poderia abastecer cerca de 2,4 milhões de residências. Atualmente, a usina atua apenas quando acionada e tem contrato para operar até o final de 2026. A Suape Energia é controlada pela Savana Holding (80%) e Petrobras (20%).
“A Wärtsilä apresentou projetos com combustíveis renováveis, como metanol e hidrogênio, e nós sugerimos: por que não testar com o etanol brasileiro?”, relata Faustino.
Vantagens logísticas e eficiência do motor a etanol
Faustino destaca que o motor testado alcançou eficiência térmica de 42% em ambiente experimental, valor próximo aos 46% dos motores a óleo combustível. Além disso, o transporte do etanol é facilitado, pois depende apenas de caminhões, sem necessidade de dutos, o que abre possibilidade para instalação de usinas em regiões interiores do país.
Outro benefício relevante é a facilidade de armazenagem do combustível, o que não ocorre de forma tão simples com o gás, que exige instalações complexas. Essa característica reforça o potencial do etanol como alternativa viável e estratégica para a expansão da geração térmica sustentável no Brasil.

