Crescimento Industrial Excepcional em Pernambuco
Pernambuco vive um momento excepcional dentro da economia nacional. No primeiro trimestre de 2026, o estado liderou o crescimento industrial do Brasil, registrando uma expansão de 35% na produção em março em comparação ao mesmo mês do ano anterior, muito acima da média nacional de 4,3%, conforme dados do IBGE. Além disso, o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), calculado pelo Banco Central, apontou uma alta de 8,1% no PIB estadual no período, o maior resultado entre todos os estados brasileiros. Esses números reforçam a importância de Pernambuco no cenário industrial, mas também evidenciam desafios estruturais que precisam ser enfrentados para garantir a sustentabilidade desse crescimento.
Desafios e Propostas da Agenda da Indústria para 2050
Na última segunda-feira (22), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou aos pré-candidatos à Presidência da República o documento “Construindo o Brasil 2050”, que reúne as prioridades do setor para os próximos 25 anos. O panorama nacional é preocupante: a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro caiu de 35,9% em 1985 para 13,7% em 2025. Paralelamente, a renda per capita brasileira foi de duas vezes acima da média dos países de renda média-alta, segundo o Banco Mundial, para 10% abaixo dessa média atual.
Em contraste, Pernambuco mostrou trajetória ascendente, com a indústria passando de 20% do PIB em 2019 para 23% em 2023, segundo a Secretaria de Planejamento do estado. Apesar desse avanço, a estrutura produtiva local ainda reflete fragilidades nacionais, como equipamentos industriais envelhecidos, baixa intensidade tecnológica em setores estratégicos e inserção limitada nas cadeias globais de valor.
Leia também: Pernambuco lidera crescimento econômico no Brasil com alta de 8,1% no 1º trimestre
Leia também: Pernambuco Fecha 2025 com Crescimento Econômico Acima da Média Nacional
Renovação Tecnológica e o Polo de Confecções do Agreste
Entre as 50 propostas da CNI, quatro têm ligação direta com a realidade pernambucana. A primeira destaca a renovação tecnológica da indústria por meio do Programa de Renovação e Difusão Tecnológica na Indústria (PRDTI). O diagnóstico revela que a idade média das máquinas no Brasil ultrapassa 14 anos, enquanto na Alemanha esse número é de cinco anos. Esse cenário é evidente no Polo de Confecções do Agreste, que inclui Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. O maior polo de confecções da América Latina enfrenta o desafio de operar com equipamentos obsoletos e tem acesso limitado ao crédito, especialmente nas micro e pequenas empresas.
Bioenergia, Hidrogênio e o Potencial de Suape
A segunda proposta envolve a bioenergia, com foco na hibridização dos parques eólicos do Nordeste com usinas de biomassa e produção de hidrogênio sustentável. Pernambuco reúne condições favoráveis, com capacidade instalada para geração eólica, disponibilidade de cana-de-açúcar como matéria-prima e o Complexo de Suape como um polo logístico estratégico. Além disso, a CNI defende o uso de combustíveis sustentáveis para a navegação marítima pelas Rotas Bioceânicas, corredores que conectam portos do Atlântico ao Pacífico via Centro-Oeste, ampliando o potencial comercial da região.
Letramento Digital e Reforma Tributária com Foco Regional
Outra prioridade destacada é o letramento digital, com um programa de inclusão digital voltado para o Norte e Nordeste, regiões com déficit mais acentuado nesse aspecto. Empresários nordestinos relataram, durante a Jornada Nacional de Inovação da CNI, que muitos trabalhadores ainda não possuem habilidades básicas para operar computadores, o que limita a adoção de tecnologias da Indústria 4.0.
Por fim, a regulamentação da Reforma Tributária é essencial para Pernambuco e demais estados nordestinos. O documento da CNI defende a implementação imediata da lei complementar aprovada em 2024, o desenvolvimento do sistema de pagamento do IBS e CBS, além da aprovação de projetos que regulamentam o Imposto Seletivo e o Fundo de Desenvolvimento Regional. Este fundo é fundamental para compensar a região pela extinção dos incentivos fiscais na transição tributária. A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) coordena um grupo de trabalho com as federações do Nordeste para assegurar que a região mantenha sua competitividade no novo modelo.
Impacto Econômico e Perspectivas para Pernambuco
Bruno Veloso, presidente da FIEPE, reforça que “os resultados mostram a força da indústria para impulsionar o desenvolvimento de Pernambuco. Quando a indústria cresce, ela gera empregos, atrai investimentos e fortalece toda a economia do estado”. Por sua vez, o presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou que “a revitalização da indústria é o caminho para que o Brasil crie empregos que proporcionem uma renda mais elevada para a população”, alertando para o impacto negativo do Custo Brasil, que limita investimentos e eleva preços para consumidores.
O crescimento industrial pernambucano em 2026 é impulsionado em parte pela retomada da Refinaria Abreu e Lima após modernização em 2025. O desafio agora é transformar essa expansão em uma base produtiva mais sólida, menos dependente de fatores conjunturais, e mais ancorada em tecnologia, bioenergia e qualificação profissional. Esse caminho depende não apenas das decisões em Brasília, mas também das iniciativas locais no Recife, que precisam acompanhar e fortalecer essa transformação.

