Exportações em queda e importações em alta impactam balança comercial de Pernambuco
Em junho de 2026, Pernambuco enfrentou um cenário desafiador no comércio exterior, marcado por uma forte queda nas exportações e crescimento contínuo das importações. Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) analisados pela Fecomércio-PE, as exportações do estado totalizaram US$ 131,2 milhões, representando uma retração de 17,5% em relação a maio e um recuo expressivo de 52,4% frente a junho de 2025.
Por outro lado, as importações pernambucanas alcançaram US$ 681,6 milhões, com aumento de 11,5% em comparação ao mês anterior e um crescimento de 20,5% na comparação anual. Esse desequilíbrio levou a balança comercial local a registrar um déficit de US$ 550,4 milhões. A corrente de comércio, que engloba o total de exportações e importações, somou US$ 812,8 milhões no período.
Produtos e mercados que dominaram as movimentações comerciais
O óleo combustível liderou as exportações pernambucanas em junho, com US$ 28,7 milhões, seguido pelo coque de petróleo (US$ 14,7 milhões), mangas frescas ou secas (US$ 14,5 milhões), automóveis com motor de explosão (US$ 12,2 milhões) e outros açúcares de cana (US$ 8,3 milhões). Os principais destinos dessas mercadorias foram Singapura, com US$ 28 milhões; Argentina, com US$ 21,4 milhões; Omã, com US$ 14,7 milhões; e Estados Unidos, com US$ 10,8 milhões.
Nas importações, os produtos que mais impactaram financeiramente foram outras gasolinas, exceto para aviação, somando US$ 54,3 milhões; outros propanos liquefeitos, com US$ 49,9 milhões; p-xileno, com US$ 47,3 milhões; e gasóleo (óleo diesel), com US$ 41,8 milhões. Os principais fornecedores foram os Estados Unidos (US$ 149,8 milhões), China (US$ 100,3 milhões), Argentina (US$ 86,8 milhões), Itália (US$ 47,8 milhões) e Rússia (US$ 45,4 milhões).
Contexto e perspectivas para o comércio exterior pernambucano
Segundo o presidente da Fecomércio-PE, Bernardo Peixoto, a queda nas exportações está relacionada à volatilidade das commodities específicas, especialmente produtos derivados do petróleo e do setor sucroalcooleiro. Ele destaca que, apesar da retração, a diversificação dos mercados de destino continua sendo fundamental para ampliar oportunidades comerciais e minimizar os riscos decorrentes das oscilações da demanda externa.
O economista Rafael Lima, também da Fecomércio-PE, ressalta que as tensões geopolíticas entre grandes potências, como Estados Unidos e China, influenciam o ambiente internacional e, consequentemente, o comércio exterior pernambucano. Alterações nas políticas tarifárias podem afetar setores importantes da pauta exportadora do estado, exigindo atenção às mudanças no cenário global para garantir a estabilidade econômica regional.

